A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em parceria com o Instituto Federal do Acre (IFAC), realizou no último sábado (20), a oficina O Campo na Palma da Mão. A iniciativa integra o Projeto Aquiry Inova Hub, voltado à transformação digital e ao fortalecimento da competitividade dos setores produtivos do Acre.
A ação alcançou resultados expressivos ao registrar um aumento de 49,24% no Índice de Maturidade Digital dos participantes. O resultado evidencia a ampliação do conhecimento sobre o tema e o fortalecimento da capacidade prática dos produtores no uso de tecnologias aplicadas às atividades produtivas.
Para a gerente da Unidade de Cooperação e Inteligência Competitiva da ABDI, Cynthia Araújo, os indicadores positivos reforçam o papel da iniciativa no desenvolvimento regional.
“Esse salto de quase 50% na maturidade digital dos participantes reflete a importância de levarmos a inclusão tecnológica para o meio rural. Ao promovermos o acesso ao conhecimento e estimularmos a adoção de ferramentas digitais no dia a dia do campo, estamos contribuindo de forma direta para o aumento da produtividade, da eficiência e da competitividade de toda a cadeia do café no Acre”, destaca.
A iniciativa buscou fortalecer a competitividade dos setores produtivos locais por meio da disseminação de tecnologias digitais, da capacitação de empreendedores e da promoção de novos modelos de negócio baseados em inovação.
Nesta primeira etapa, a cadeia produtiva priorizada foi a do café, atividade de grande relevância econômica e social para o Acre, especialmente para agricultores familiares, cooperativas e pequenos produtores rurais.
Para o diretor do Campus Rio Branco do IFAC, Cleilton Farias, a união de esforços entre as instituições é vista como o base para essa transformação.
“A nossa ideia é fazer com que as inovações e soluções discutidas dentro da academia e dos institutos cheguem cada vez mais perto do produtor rural, garantindo que ele tenha as ferramentas para trabalhar melhor, produzir mais e gerar mais renda”, ressalta.
A oficina teve como objetivo capacitar produtores rurais, cooperativas, associações e demais atores da cadeia produtiva do café para o uso de ferramentas digitais acessíveis e de aplicação prática no cotidiano.
A programação incluiu soluções voltadas à gestão da propriedade, comercialização, acesso a mercados e aumento da produtividade, demonstrando a aplicação prática da tecnologia no campo.
De acordo com o coordenador da iniciativa, Antonelli Silva, a proposta foi transformar o celular em ferramenta de negócios.
“Nossas capacitações focaram em duas frentes: ensinar o trabalhador a usar as redes sociais e aplicativos como estratégias de marketing para impulsionar suas vendas e mostrar como acessar programas do governo e de financiamento diretamente pelo aparelho”, explica.
Os resultados da avaliação aplicada antes e após a oficina indicaram avanços nas competências digitais dos participantes, com melhorias no uso de aplicativos móveis, acesso a informações técnicas, utilização de redes sociais para negócios, aplicação de inteligência artificial e uso de dados para tomada de decisão.
Esse aprendizado já começou a transformar a rotina de comercialização de quem vive do campo. É o caso de Suzana do Nascimento, produtora no Km 50 da Transacreana, em Rio Branco.
“Lá na minha colônia, a gente produz peixe, macaxeira e banana. Antes, quando o peixe estava pronto para a venda, a gente só avisava os amigos mais próximos pelo WhatsApp. Esse curso abriu muitos leques. Agora sabemos como usar o Instagram não só para divulgar nossas vendas, mas para mostrar a muito mais pessoas a qualidade do que produzimos”, relata.
A iniciativa está alinhada à missão da ABDI de promover a transformação digital e o aumento da competitividade dos setores produtivos brasileiros. Ao conectar inovação, tecnologia e desenvolvimento regional, a Agência contribui para que produtores rurais e empreendedores tenham acesso a ferramentas capazes de gerar ganhos concretos de produtividade, renda e sustentabilidade, fortalecendo o desenvolvimento econômico dos territórios e preparando os negócios locais para os desafios da economia digital.