Nesta terça-feira (12), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) apresentaram, durante o Bioeconomy Amazon Summit 2026, o livro “Bioindústria na Amazônia: contribuições para o desenvolvimento sustentável na Amazônia Legal”. A obra disponibiliza um mapeamento de 11.688 empreendimentos formais, revelando que a bioindustrialização é um mecanismo central para a economia da região, mantendo a floresta em pé.
O diagnóstico foi lançado oficialmente durante a COP30, realizada em Belém (PA), em novembro de 2025. Na ocasião, ABDI e IPAM firmaram um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) voltado à execução de ações para fortalecer arranjos produtivos locais, apoiar bioindústrias emergentes e ampliar a inteligência multissetorial aplicada à bioeconomia amazônica.
Resultado de um esforço conjunto para sistematizar dados sobre um segmento que ainda enfrenta desafios de visibilidade e classificação oficial, o estudo aponta que a bioindústria já gera cerca de 220 mil empregos diretos, impactando a subsistência e a economia de aproximadamente 879 mil pessoas na Amazônia Legal.
“Amazonizar” a indústria é o conceito central da obra, que propõe um modelo de desenvolvimento industrial baseado na floresta e na biodiversidade amazônica, compreendendo a natureza não apenas como fornecedora de insumo comum, mas como uma “infraestrutura viva” capaz de orientar a organização produtiva local sustentável.
Para a gerente de Cooperação e Inteligência Competitiva da ABDI, Cynthia Matos, o diagnóstico é uma ferramenta de gestão e mobilização. “A parceria entre a ABDI e o IPAM demonstra como a união entre desenvolvimento industrial, conhecimento científico e sustentabilidade pode gerar caminhos concretos para uma nova economia na Amazônia. O livro representa não apenas uma reflexão estratégica sobre o potencial da região, mas também um instrumento de mobilização para fortalecer cadeias produtivas sustentáveis, estimular a inovação e promover o desenvolvimento com inclusão social e conservação ambiental”, afirmou.
Radiografia do Setor
Os dados revelam que o estado do Pará lidera a concentração de negócios, com 4.496 empreendimentos mapeados, seguido por Amazonas (1.810) e Mato Grosso (1.636). Outro dado relevante é o perfil dos empreendedores: 85,8% do setor é composto por micro e pequenas empresas, evidenciando que a bioindústria é uma força capilarizada e inclusiva.
Do lado ambiental e social, a parceria com o IPAM foi fundamental para compreender como o beneficiamento de cadeias produtivas estratégicas, como a do açaí, da castanha-do-brasil e da mandioca, contribui para a proteção do bioma. A diretora de Políticas Públicas do IPAM, Gabriela Savian, destaca a relevância socioambiental da publicação.
“Mais do que mapear empreendimentos, essa publicação ajuda a mostrar que a bioindústria amazônica já é uma realidade econômica relevante para a região. Existe um enorme potencial para fortalecer cadeias produtivas, ampliar a agregação de valor e impulsionar estratégias de desenvolvimento sustentável a partir da biodiversidade amazônica. O livro contribui ao trazer dados, inteligência territorial e visibilidade para uma agenda que será cada vez mais estratégica para o futuro da Amazônia e do Brasil”, destacou Savian.
Desafios e Estratégia de Estado
Além de celebrar os números, a obra mapeia gargalos críticos, como a falta de infraestrutura, deficiências logísticas, acesso restrito ao crédito e burocracia na regularização sanitária. O livro conclui que, para a bioindústria atingir sua maturidade, deve deixar de ser vista como um conjunto de iniciativas isoladas para se tornar uma estratégia nacional de desenvolvimento, com integração entre União, estados, municípios e iniciativa privada.
O livro “Bioindústria na Amazônia: contribuições para o desenvolvimento sustentável na Amazônia Legal” é um marco técnico para a formulação de políticas públicas e para o fomento de novos arranjos produtivos locais, posicionando a região como protagonista da nova economia global.