A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) concluiu, nesta quarta-feira (6), o ciclo de Painéis de Prospectiva Industrial no âmbito do projeto do Complexo Industrial de Defesa, consolidando um diagnóstico nacional das demandas futuras de qualificação profissional. A iniciativa, realizada em parceria com o Observatório Nacional da Indústria (CNI) e a Fundação Instituto de Administração (FIA/USP), estabelece um mapa estratégico para a formação de capital humano alinhado às transformações tecnológicas e às necessidades estratégicas do setor na próxima década.
Com o apoio do Parque Tecnológico de São José dos Campos (PIT), os encontros finais foram realizados em São José dos Campos e na cidade de São Paulo, com foco nos segmentos aeroespacial e de plataformas veiculares militares terrestres. Ao longo do projeto, gestores públicos, especialistas e representantes da indústria e instituições de ensino analisaram o impacto de tecnologias emergentes e tendências organizacionais sobre a soberania nacional e a competitividade da base industrial de defesa.
Para a líder do projeto na ABDI, Karen Leal, o sucesso do ciclo só foi possível por meio da capacidade de integração entre governo, academia e setor produtivo.
“Com a conclusão desses últimos painéis, consolidamos um mapeamento para a soberania produtiva do Brasil. Não estamos apenas identificando tendências, mas gerando insumos concretos para que o Estado e a indústria caminhem juntos na criação de cursos e perfis profissionais que serão necessários para os próximos 5 e 10 anos e que serão o motor da Defesa na próxima década”, afirmou.
O encerramento das atividades marca um cronograma técnico de abrangência nacional iniciado ainda em 2025. A etapa inicial ocorreu em Brasília, em outubro, com foco nos eixos de armas, sistemas de controle de tiro, munições e mísseis. Em janeiro de 2026, o projeto avançou para o Rio de Janeiro, mobilizando os setores Naval e Têxtil para Defesa, com o apoio estratégico do SENAI/CETIQ e do Cluster Naval. Em março, os debates concentraram-se nas áreas de Comando, Controle e Cibernética, com ênfase na proteção de dados e na soberania digital.
Metodologia e Próximos Passos
Os trabalhos foram conduzidos com base em metodologia estruturada em quatro etapas: prospectiva tecnológica, para validação de tendências; ocupacional, para mapear novos perfis profissionais; educacional, para priorizar cursos de capacitação; e estratégica, para definir as ações dos stakeholders do setor.
Os dados obtidos servirão de base para a formulação de programas nacionais de formação e capacitação profissional, garantindo que a indústria brasileira de defesa esteja apta a enfrentar os desafios de competitividade e inovação até 2036.