A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) deu início, na última semana, às articulações para a construção da Indicação Geográfica (IG) do Robusta Amazônico do Acre – tipo de café especial resultante de cruzamentos genéticos adaptados ao clima da região. A iniciativa busca reconhecer e registrar oficialmente a origem e as características únicas da produção de café especial da região acreana por meio da Plataforma Origem Controlada.
Realizada entre os dias 21 e 24/7, em Rio Branco (AC), a articulação reuniu representantes da ABDI, Embrapa Acre, Embrapa Rondônia, Sebrae, Emater, Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (IDAF) e Secretaria de Estado de Agricultura do Acre (SEAGRI).
Durante reunião realizada na sede da SEAGRI, os participantes discutiram os diferentes cenários para a futura Indicação Geográfica, considerando possibilidades de reconhecimento por território, por regiões produtoras ou para todo o estado. Essa construção da Indicação Geográfica busca fortalecer a identidade territorial do produto, ampliar sua competitividade e agregar valor à produção regional.
A definição, no entanto, será baseada em um diagnóstico técnico estadual que permitirá identificar as características da cafeicultura acreana e fornecerá subsídios para delimitar a tomada de decisão. Nesse contexto, os parceiros buscam ampliar o diagnóstico inicialmente previsto para a região do Juruá, estendendo o levantamento a todo o estado acreano.
Além disso, também ficou prevista a criação de um Grupo de Trabalho (GT), coordenado pela SEAGRI, que reunirá representantes da ABDI, Embrapa, Sebrae, Senar, Emater, IDAF e Fórum Empresarial e Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O grupo será responsável por coordenar as ações técnicas e institucionais necessárias para a construção da Indicação Geográfica.
O encontro reforçou a importância da atuação integrada entre as instituições, ressaltando que o diagnóstico estadual será o principal instrumento para subsidiar a definição da estratégia da Indicação Geográfica do Café do Acre, garantindo que o processo seja conduzido com base em critérios técnicos e na realidade da cafeicultura acreana, levando em conta suas características e identidade territorial.
2º Seminário Estadual de Cafeicultura do Acre
Durante a agenda no estado, a equipe da ABDI participou, ainda, do 2º Seminário Estadual de Cafeicultura do Acre, promovido pela Embrapa, Senar Acre, SEAGRI e Mapa, que reuniu produtores, pesquisadores, empresas e instituições para discutir os avanços da produção do Robusta Amazônico e as perspectivas para o desenvolvimento da cadeia produtiva no estado.
O evento reforçou o potencial e a qualidade da cafeicultura acreana, destacando a importância de iniciativas voltadas à agregação de valor, à inovação e à valorização da origem dos produtos.
Próximos passos
Entre as próximas ações previstas estão a formalização do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre a ABDI e a Embrapa Acre, a elaboração do diagnóstico estadual da cafeicultura e a estruturação da governança responsável por conduzir o processo de reconhecimento da Indicação Geográfica.
A iniciativa busca fortalecer a identidade do café produzido no Acre e na região Norte, ampliar sua competitividade e criar novas oportunidades para os produtores locais, contribuindo para o desenvolvimento econômico regional e para a valorização do Robusta Amazônico. Atualmente, a região já possui o reconhecimento da IG “Matas de Rondônia”, que abrange cerca de 15 municípios e onde também ocorre o cultivo do café especial Robusta Amazônico.
Plataforma Origem Controlada
O sistema é uma das principais ferramentas de controle, autenticidade e valorização das origens do café brasileiro. Desenvolvida para fortalecer a governança das regiões produtoras e ampliar a transparência ao consumidor, a plataforma conecta atualmente 3.569 produtores e 4.408 propriedades rurais distribuídas em seis estados brasileiros.