A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) realizou, nesta segunda-feira (17), em Brasília, a oficina E-Digital: Setor Produtivo, iniciativa voltada à coleta de contribuições de representantes da indústria e de diferentes segmentos econômicos para a construção da nova Estratégia Brasileira de Transformação Digital (E-Digital) 2026-2031.
A atividade foi conduzida por Lorrayne Porciúncula, diretora-executiva da Datasphere Initiative, e contou com a participação do presidente da ABDI, Olavo Noleto; da diretora da Agência, Neide Freitas; e da secretária-adjunta da Casa Civil para a Transformação Digital, Beatriz Vasconcellos.
A nova E-Digital tem como horizonte o período de 2026 a 2031 e está sendo construída por meio de diferentes etapas de participação social e institucional. O processo inclui consulta pública, seminários, oficinas temáticas e a consolidação de contribuições antes da apreciação pelo Comitê Interministerial para a Transformação Digital (CIT-Digital). A consulta pública realizada anteriormente recebeu 175 contribuições de representantes do setor empresarial, organizações da sociedade civil, academia e órgãos públicos.
Na abertura da oficina, Olavo Noleto destacou a importância da participação do setor produtivo na formulação da estratégia. “Não existe como a gente gerar emprego de qualidade e perder o mercado. Precisa ganhar mercado, e o ganhar mercado é que vai nos dar a oportunidade de qualificar o nosso trabalho, qualificar a renda advinda desse trabalho”, afirmou.
O presidente da ABDI também ressaltou o papel da oficina como espaço de diálogo entre governo e setor produtivo, contribuindo para que as demandas e desafios enfrentados pelas empresas sejam incorporados à estratégia.
Neide Freitas ressaltou que a transformação digital envolve diferentes dimensões, desde infraestrutura, data centers e nuvem até capacitação e formação de pessoas. Para a diretora da ABDI, o debate deve estar conectado ao desenvolvimento e à competitividade.
“Vamos colocar todo mundo num novo entendimento do que é o digital e para que o digital pode acelerar não só o crescimento do país, mas também o nosso desenvolvimento enquanto talvez a melhor forma onde a gente pode traduzir isso seja em competitividade para a indústria e para o país”, afirmou.
Neide também destacou ativos digitais desenvolvidos no país, como a nota fiscal eletrônica, o Pix, o SUS Digital e a infraestrutura de dados associada ao Gov.br.
A gerente da Unidade de Transformação Digital da ABDI, Adryelle Pedrosa, destacou que a oficina foi organizada para ampliar a participação do setor produtivo na construção da nova estratégia. “A realização desta oficina responde a uma lacuna concreta: o setor produtivo esteve pouco representado na consulta pública digital que precedeu esta etapa. Setores como cloud computing, inteligência artificial, fintechs, agronegócio, mineração, construção e saúde digital, por exemplo, não tiveram voz própria naquele processo”, afirmou.
Segundo Adryelle, a contribuição da ABDI está na capacidade de articular diferentes atores em torno da formulação de políticas públicas. “A ABDI identificou esse vazio. Nossa contribuição central é mobilizar e articular governo, empresas e entidades representativas, transformando as experiências dos setores produtivos em evidências organizadas para a formulação de políticas. O que saiu desta sala vai informar tanto a redação da E-Digital quanto a nossa própria atuação nos próximos anos”, destacou.
Beatriz Vasconcellos destacou a necessidade de compreender a transformação digital para além da agenda de governo digital, incorporando também suas dimensões econômica e produtiva. Segundo ela, o digital deve ser compreendido como uma cadeia que envolve diferentes etapas e setores.
“Então, tudo isso faz parte de uma cadeia. Então, como é que a gente entende isso como uma cadeia e fomenta essa cadeia realmente para alavancar o país para uma nova era”, afirmou.
A secretária-adjunta também ressaltou que a construção da estratégia busca incorporar diferentes perspectivas da sociedade, incluindo setor produtivo, academia e organizações da sociedade civil.
Escuta e construção coletiva
A metodologia da oficina foi estruturada para reunir diferentes perspectivas do setor produtivo e organizar as contribuições em cinco eixos temáticos: infraestrutura de dados e conectividade; capacidade de desenvolver, decidir e agir; transformação da economia; transformação do Estado; e transformação da cidadania e da democracia.
Durante a atividade, os participantes passaram por três etapas principais: construção de uma visão de futuro para a transformação digital brasileira; análise colaborativa dos objetivos de cada eixo; e priorização das ações consideradas mais críticas e urgentes.
As discussões foram organizadas em cinco eixos temáticos: Construir bases estratégicas e sustentáveis; Ampliar a capacidade de desenvolver, decidir e agir; Transformação da economia; Transformação do Estado; e Transformação da cidadania e da democracia.
Na dinâmica, os grupos puderam manter, editar ou excluir objetivos em discussão, além de propor novas ações. O eixo de Transformação da economia foi analisado pelos quatro grupos por sua relevância para o setor produtivo.
Na etapa final, os participantes priorizaram as ações de cada eixo e levaram os resultados para a plenária. Também foram apresentadas formulações de visão de futuro construídas a partir das contribuições iniciais dos participantes, com votação para escolha da proposta convergente.
As contribuições coletadas na oficina integram o processo de elaboração e validação da E-Digital 2026–2031.
