Calculadora de Investimentos da Indústria 4.0 reduz riscos da inovação

Inédita, ferramenta digital faz projeção de custos para aporte das empresas em novas tecnologias

Atenta às necessidades de transformação digital do setor industrial brasileiro, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) encomendou ao Núcleo de Engenharia Organizacional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (NEO-UFRGS) a inédita Calculadora de Investimentos 4.0, lançada na última quarta-feira (06/12).

A ferramenta digital foi pensada para orientar os gestores do setor produtivo no processo decisório de como investir em soluções inovadoras e, ao mesmo tempo, auxiliá-los a reduzir incertezas e riscos de inovação. Nesse sentido, a Calculadora submete o gestor a perguntas que pouco a pouco constroem e simulam o fluxo de caixa da empresa para uma possível nova aquisição tecnológica.

Ao todo são quatro etapas. Ao final, o usuário terá acesso a resultados gráficos e a ao menos três indicadores principais: Valor Presente Líquido; Taxa Interna de Retorno do investimento; e Payback (tempo de retorno do investimento). Caso o respondente tenha inserido algum dado errado em alguma das etapas, é possível voltar, corrigir, e os indicadores serão recalculados. A ferramenta digital também permite simular cenários mais ou menos pessimistas a partir do resultado obtido.

“Ao utilizar a Calculadora, o gestor entenderá qual é a solução mais adequada para a empresa dele, qual o nível de maturidade da empresa para avançar a um próximo passo, se o objetivo que pretende atingir é a melhor decisão e de quanto deverá dispor para investimento”, ressaltou, durante o evento, a professora Joana Siqueira de Souza, diretora do NEO e responsável pelo desenvolvimento da Calculadora.

A ferramenta foi desenvolvida com base em três eixos principais: Gestão de Produção: melhorar a qualidade de itens e produtos; Gestão da Manutenção: melhorar a vida útil do ativo; Gestão Energética: otimizar o gasto energético. Para isso, foram realizadas pesquisas, entrevistas com especialistas do setor, como fornecedores de tecnologia, e com empresas que tiveram ganhos reais com investimentos em tecnologias 4.0.

Em sua versão de lançamento, a Calculadora tem meios disponíveis para avaliação focados no uso das tecnologias-base da Indústria 4.0: Internet das Coisas (IoT), computação em nuvem, big data/analytics e inteligência artificial.

“Esse é um projeto inédito para o setor produtivo e que visa apoiar o processo de construção da decisão de um investimento em inovação. A ABDI está sempre atenta às necessidades de transformação da indústria e a Calculadora é um processo dinâmico que vai considerar as variáveis, premissas que devem ser apuradas para um aporte em tecnologia 4.0”, destaca o gerente de Difusão de Tecnologias da ABDI, Bruno Jorge Soares. 

A Calculadora de Investimento 4.0 está disponível gratuitamente. Acesse aqui.

Demonstradores de Tecnologias

A ABDI também organiza editais e projetos com demonstradores de tecnologias – espaços, ambientes ou objetos de teste que demonstram a utilidade de um conceito ou uma ideia inovadora. Esse foi outro tema abordado durante o webinar ‘Ambientes de Demonstração de Tecnologias e Calculadora de Investimentos da Indústria 4.0’.

Os demonstradores de tecnologias 4.0 têm por objetivo difundir e massificar tecnologias inovadoras. Cada demonstrador tem um modelo de negócio que pode ser associado a ele para garantir o atendimento dos seus objetivos. A exemplo dos testbeds, cujo desenvolvimento em diferentes segmentos do setor produtivo foi objeto de editais da ABDI, demonstradores como Showcase, Planta Didática, Learning Factory, Test Lab, Living Lab e Lighthouse produzem resultados reais que podem ajudar as empresas a resolverem seus problemas de produtividade, a exemplo de embaraços nas gestões energética, de produção, de manutenção e de estoque e logística.

Uma vez esclarecido como as tecnologias da Indústria 4.0 podem ser efetivamente aplicadas em desafios industriais, os demonstradores combatem as incertezas e a baixa adoção de novas tecnologias pelo setor produtivo. Auxiliam, assim, as políticas de inovação em favor do desenvolvimento, da exploração e da difusão tecnológica no país.

“Em um período de quatro meses de aplicação da tecnologia de inteligência artificial (IA) que auxilia na gestão da operação das máquinas, tivemos um ganho de 8,49% OEE. Ao longo de um ano, isso representa uma redução de custo para a empresa de R$ 5 milhões, considerando um total de 42 máquinas em operação”, destacou Gemilson Feitosa, gerente de Tecnologia da Informação da Componel Indústria e Comércio, fabricante de peças plásticas para produção de componentes para duas rodas (motos), eletroeletrônicos (TV, ar-condicionado, telefone, caixa de som), e uma das quatro empresas selecionadas no edital Data Labs IA, realizado pela ABDI. OEE é a sigla em inglês para Overall Equipment Effectiveness, ou Eficiência Global do Equipamento na tradução livre para o português, um indicador que mede a eficiência de um equipamento.

Gemilson explica que, a partir da implantação de assistente virtual I-DMSS (sigla em inglês para Intelligence Decision Maker Support System, que em tradução livre seria Sistema de Suporte Inteligente para Tomada de Decisão), foi possível estabelecer uma ficha técnica que faz a leitura da atividade do equipamento e identifica exatamente qual a incidência de perturbação, como a temperatura de pico. “Com essa tecnologia, executamos ação imediata e em tempo hábil de manutenção da máquina, evitando perdas significativas”, completou.

Assista o webinar ‘Ambientes de Demonstração de Tecnologias e Calculadora de Investimentos da Indústria 4.0’.

Sobre a ABDI

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) formula e executa ações que contribuem para o desenvolvimento do setor produtivo nacional. Sua missão é estimular a transformação digital dos negócios, com vistas ao aumento da produtividade, competitividade e lucratividade. A ABDI também incentiva testes com novos modelos de negócios e uso de tecnologias em cidades inteligentes. A agência é indutora da cultura de digitalização na economia nacional, gera inteligência competitiva e é responsável pela articulação entre agentes públicos e privados, sempre com o foco no desenvolvimento econômico e social do país.

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