CNDI e CDESS promovem debate internacional sobre formulação de políticas industriais

Encontro tem o apoio da ABDI e conta com a participação de representantes de oito países

Representantes de Coréia do Sul, Estados Unidos, México, União Europeia, China, Vietnã e Turquia compartilharam, hoje, os resultados alcançados na formulação e implantação de políticas públicas desenvolvimentistas em seus países. A Oficina sobre Política Industrial: Experiências Internacionais foi promovida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI) em parceria com o Conselho de Desenvolvimento Social Sustentável (CDESS) e com o apoio da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). O encontro integra as discussões sobre a construção da nova indústria brasileira.

Na abertura, o secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias, destacou a importância do evento para a construção da política de neoindustrialização brasileira e o desafio gerado pela necessidade de avanços em temas como transição ecológica e energética. “Se perdermos essa janela histórica, o Brasil vai continuar periférico no desenvolvimento industrial. O Brasil passou por uma desindustrialização severa e precoce, percorremos um caminho infelizmente equivocado. Se no passado era o custo da mão-de-obra que determinava o paraíso das indústrias, o futuro será a pegada de carbono, a sustentabilidade ambiental”, disse.

A experiência chinesa foi apresentada pelo professor de finanças da Universidade de Beijing, Michael Pettis. Ele explicou que, antes de implementar uma política pública nacional, a China testa a efetividade das ações em províncias ou regiões específicas. “Se elas funcionarem, serão expandidas para o restante do país. Caso contrário, serão abandonadas”.

A política industrial bem-sucedida da China não se diferencia muito de experiências já experimentadas por brasileiros e norte-americanos. Pettis lembrou, por exemplo, que entre o final dos anos 1950 e início dos anos 1970, o Brasil viveu o chamado milagre econômico, período no qual a economia nacional cresceu muito rapidamente. “Essa experiência se assemelha ao que tem sido implementado na China, onde o governo faz apostas em determinados setores que representam as indústrias do futuro e, com isso, empresas desses segmentos recebem incentivos para o seu desenvolvimento”.

Na mesma linha, Nguyen Van Hoi, diretor do Ministério da Indústria e Comércio do Vietnã, explicou a contribuição de alguns setores para que a indústria se tornasse um dos maiores exportadores do país. Entre eles estão: tecnologia da informação, têxtil, energia, telecomunicações, construção e alimentos.

Para Van Hoi, esses segmentos apresentaram forte desenvolvimento e contribuíram para o aumento da produtividade nacional e para a melhoria do bem-estar social. No entanto, ele ressaltou que as políticas industriais vietnamitas não se atentam a importantes questões relacionadas à sustentabilidade ambiental e, além disso, a economia ainda continua muito dependente de investimentos estrangeiros.

Pensar em ações que reduzam a dependência da economia dos combustíveis fósseis tem sido o foco dos formuladores de políticas públicas nos Estados Unidos, de acordo com a diretora de Política Industrial e Comércio norte-americana, Isabel Estevez. Outros temas que influenciam a agenda ainda estão centrados na preocupação com a criação de postos de trabalho, os impactos da área fiscal e o desenvolvimento da indústria militar. “Há mais de um século, as políticas industriais dos EUA são entendidas como uma das estratégias de desenvolvimento econômico, no entanto, no atual contexto, os esforços estão concentrados no fomento da inovação tecnológica e na pesquisa de fontes alternativas de energia”, explica Isabel.

Nearshoring

O sucesso da estratégia do nearshoring foi apresentado pelo México. O modelo é uma resposta ao chamado offshoring e prevê uma reaproximação dos elos da cadeia produtiva. Esse estilo ganhou força depois da pandemia de covid-19 e dos problemas mundiais de logísticas causados por ela. De acordo com o representante mexicano, Roberto Dúran, que é doutor em Desenvolvimento Regional, o investimento nessa política pode render US$ 78 bilhões para a América Latina. “Depois da pandemia, tivemos uma revitalização da economia do México. Apesar das condições adversas no comércio global, as exportações e o investimento estrangeiro direto estão prosperando. Precisamos aproveitar esse fenômeno para desenvolver o país. É fundamental pensar e agir diferente e formular uma política industrial que dê direcionamentos efetivos para o desenvolvimento econômico.”

Todas as experiências apresentadas durante o evento vão integrar um relatório que servirá de insumo para o Governo Federal na construção da nova política industrial do Brasil. A ABDI apoia a neoindustrialização, acompanha as discussões e auxilia o CNDI nessa iniciativa.  

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