A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) vai expandir a Plataforma Origem Controlada para as cadeias de mel e queijo. Alinhada à Nova Indústria Brasil (NIB) e com implementação prevista até dezembro deste ano, a medida, que reforça o uso de tecnologia digital como instrumento de política industrial voltada à inclusão produtiva, ganhará escala com o apoio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Lançada em 2024 para a cadeia do café, por meio de Acordo de Parceria em P,D&I com o Sebrae e o Instituto CNA, a plataforma transforma a rastreabilidade em um ativo estratégico para as Indicações Geográficas (IGs) brasileiras. Ao digitalizar informações sobre origem e produção, a ferramenta amplia a transparência e fortalece a inserção de produtores, especialmente os de menor porte, em mercados que exigem rastreabilidade e comprovação de procedência, como União Europeia, Japão e Estados Unidos.
O acesso às informações consiste em um QR code na embalagem que permite ao consumidor acessar dados sobre a fazenda, o produtor e o processo produtivo. O recurso responde à crescente demanda por produtos com origem comprovada, rastreáveis e com qualidade certificada, sobretudo no comércio internacional.
Do café a novos sabores do Brasil
A plataforma mantém como foco a inclusão produtiva e o fortalecimento das cadeias por meio da digitalização, um avanço importante para a modernização os dois segmentos – enquanto o queijo artesanal é produzido majoritariamente por pequenos negócios, 80% dos apicultores brasileiros são agricultores.
“A proposta é colocar nas mãos desses produtores uma ferramenta que fortaleça sua inserção competitiva”, afirma a gerente da Unidade de Transformação Digital da ABDI, Adryelle Pedrosa. “Estamos falando de setores com forte valor agregado, mas que ainda enfrentam dificuldades para atender exigências internacionais. A rastreabilidade digital contribui para superar esse desafio”, acrescenta Pedrosa.
O Brasil está entre os principais produtores e exportadores de mel do mundo e ocupa a 4ª posição como exportador em potencial. A produção nacional tem crescido nos últimos anos, com cerca de 64 mil toneladas produzidas em 2023 e tendência de expansão contínua.
Em 2025, o Brasil registrou aumento de receita (US$ 109,7 milhões) com a exportação de cerca de 32,5 mil toneladas de mel.
O cenário nacional do queijo artesanal, por sua vez, demonstra que a excelência não está restrita a uma única região. Estados como Espírito Santo, Paraná e Rio Grande do Sul estão construindo suas próprias tradições queijeiras, combinando técnicas tradicionais com inovação e apoio científico. A diversificação geográfica da produção de qualidade fortalece o setor como um todo, oferecendo aos consumidores uma variedade crescente de sabores e texturas autenticamente brasileiras.
Resultados na cadeia do café
Os resultados já alcançados no setor cafeeiro demonstram o potencial da iniciativa como instrumento de política industrial. Até dezembro de 2025, foram atingidos os números abaixo:

Com a adoção da plataforma, os produtores passaram a contar com um sistema que amplia a confiança de consumidores e compradores internacionais, o que contribui para o avanço das exportações e a geração de renda local. Em 2025, o Brasil consolidou sua posição como maior exportador de café do mundo, com crescimento de 31% no mercado internacional.
A plataforma
Prevista na Nova Indústria Brasil (NIB) e na Estratégia Nacional de Propriedade Intelectual (ENPI), a Plataforma Origem Controlada reforça o papel da tecnologia como aliada da inclusão produtiva e da competitividade. Ao conectar inovação, território e agregação de valor, a iniciativa fortalece a política industrial brasileira ao ampliar oportunidades para pequenos produtores e posicionar o país de forma mais estratégica no comércio internacional.