Conexões Produtivas debate modernização industrial e ampliação de exportações no acordo Mercosul–União Europeia

Conexões Produtivas debate modernização industrial e ampliação de exportações no acordo Mercosul–União Europeia

Evento reuniu representantes do Governo Federal e da UE para tratar de competitividade, modernização tecnológica e atração de investimentos

O papel da indústria brasileira diante das novas dinâmicas globais foi o centro das discussões nesta sexta-feira (26), durante a sessão solene Conexões Produtivas: Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia. Realizado em São Paulo, o evento reuniu representantes do governo federal, de instituições de desenvolvimento econômico e da União Europeia.

O debate teve como foco principal os impactos estratégicos do acordo comercial para o setor produtivo nacional. Na pauta, destacaram-se temas fundamentais para o salto de competitividade do país, como a ampliação das exportações, a atração de novos investimentos e a necessária modernização tecnológica para garantir a inserção competitiva das empresas brasileiras nas cadeias globais de valor.

Durante o encontro, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, ressaltou o caráter prático da parceria, focado na geração de negócios e na ampliação das vendas externas. Ele lembrou que a União Europeia já responde por metade do investimento direto estrangeiro no Brasil e que, diante de um cenário global marcado por fragmentação e protecionismo, o acordo representa uma vitória histórica do diálogo.

“O nosso desafio aqui é fazer negócios e aproveitar oportunidades. Como todo acordo complexo, teremos desde tarifa zero imediata para mais de 5 mil produtos até desgravações que levarão quase 20 anos. O Brasil tem 2% do PIB mundial, então 98% está lá fora e precisamos exportar. Em um mundo de enorme fragmentação política e protecionismo, celebrar o Acordo Mercosul-União Europeia é a vitória do diálogo, do multilateralismo e da abertura comercial. A União Europeia já é metade do investimento direto estrangeiro no Brasil; o acordo vai abrir ainda mais portas e trazer uma melhor integração econômica para as nossas cadeias produtivas”, destacou.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, detalhou como o texto original do tratado precisou ser atualizado para proteger e impulsionar o setor produtivo nacional. Ele frisou a importância das novas cláusulas de sustentabilidade e de proteção à indústria, relacionando o avanço do acordo aos resultados positivos da política econômica atual.

“Era preciso que atualizássemos a proposta do acordo para os tempos atuais. O texto de 2018 já não atendia às nossas necessidades. Foi necessário incluir um capítulo sobre sustentabilidade, garantir acesso às micro e pequenas empresas, estabelecer salvaguardas, proteger alguns setores e alongar os cronogramas de desgravação tarifária. O novo texto responde muito mais às potencialidades do Brasil, que hoje faz da política industrial o epicentro do seu desenvolvimento econômico e social”, disse.

O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Olavo Noleto, destacou as ações práticas do governo para preparar o setor produtivo nacional diante do novo cenário global. Ele enfatizou que o fortalecimento interno, impulsionado por políticas públicas estruturantes como a Nova Indústria Brasil e pela governança unificada de investimentos, é essencial para que o país consolide sua posição no mercado internacional e aproveite a integração com o bloco europeu.

“O acordo Mercosul-União Europeia é muito positivo em vários aspectos, mas a política Nova Indústria Brasil é o instrumento pelo qual nós vamos poder entrar nessa parceria ainda maiores e mais preparados. A razão central desse acordo é fortalecer a nossa indústria e garantir que ela aproveite ao máximo essas oportunidades. Vivemos um momento de reindustrialização, com uma estratégia clara em uma geopolítica mundial complexa, na qual o Brasil tem liderança e um setor produtivo fantástico que faz o país dar certo todos os dias”, afirmou.

O ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Henrique Rodrigues, celebrou a dimensão histórica da parceria e alertou para o desafio de inserir os pequenos negócios no comércio internacional. Ele destacou que, embora as micro e pequenas empresas representem 97% dos empreendimentos no Brasil e gerem cerca de 80% dos empregos formais, elas ainda respondem por apenas 1% do valor total exportado pelo país.

“Construímos um acordo histórico que envolve mais de 700 milhões de pessoas e cerca de 25% do PIB global em um momento de muita instabilidade geopolítica. É uma conquista que protege o país e consagra nossa volta ao cenário internacional. No caso das pequenas e médias empresas, o desafio não é tarifário, mas sim de informação, preparação e conformidade regulatória. Uma burocracia que é superável para uma grande corporação pode ser uma barreira intransponível para quem é pequeno. Precisamos aumentar a exportação desse segmento, porque isso gera renda, distribui riqueza e sofistica a economia brasileira. Ter um capítulo do acordo voltado especialmente para isso é um passo fundamental”, pontuou.

A estratégia de capilarização dos benefícios do acordo por todo o território nacional foi detalhada pelo presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller. Diante de um público de 400 pessoas composto por empresários e equipes técnicas do Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), Müller apontou que o tratado é fruto do prestígio, estabilidade e credibilidade internacional recuperados pelo Governo Federal.

“O compromisso da ApexBrasil agora é levar esses benefícios diretamente aos nossos empresários, produtores rurais e cooperativas. Para transformar o tratado em realidade na ponta, estruturamos um cronograma de mais 13 eventos planejados em todo o território nacional, integrando todo o ecossistema do MDIC, do BNDES e dos nossos parceiros estratégicos para dar o suporte que as empresas precisam para expandir suas conexões globais”, explicou.

O papel da diplomacia e a relevância estratégica do tratado na geopolítica atual foram destacados pelo secretário de Promoção Comercial, Ciência, Tecnologia, Inovação e Cultura do Ministério das Relações Exteriores, o embaixador Alex Giacomelli. Ele apontou que o Itamaraty, por meio de sua rede de setores comerciais na Europa, atuará para agregar valor aos produtos nacionais, além de destacar o potencial do Brasil para atrair investimentos em descarbonização e transição energética.

“Mais do que um tratado comercial, o Acordo Mercosul-União Europeia é uma oportunidade histórica para redefinir nossa relação por meio de investimentos e da cooperação em um cenário global de fragmentação. O acordo prevê a abertura gradual de mais de 90% das linhas tarifárias nos próximos 15 anos, abrindo frentes cruciais para a nossa indústria de máquinas, equipamentos e químicos, além do setor agropecuário”, detalhou o embaixador Alex Giacomelli.

O apoio técnico e logístico para aproximar os pequenos negócios da realidade europeia foi detalhado pelo gerente internacional do Sebrae, Vinícius Lages.

“O nosso grande papel é traduzir a complexidade desse mercado para que o pequeno negócio compreenda e acesse essas oportunidades. Diferente das grandes corporações, os pequenos empreendimentos não nascem globais. A redução de tarifas não é uma garantia imediata de espaço; há um dever de casa focado em logística, embalagens, rótulos e certificações específicas de cada nação europeia”, avaliou.

O encontro Conexões Produtivas reafirma o compromisso das instituições envolvidas em alinhar as estratégias de desenvolvimento interno às oportunidades geradas pela integração de mercados, garantindo que a indústria brasileira não apenas acesse o mercado europeu, mas o faça de forma inovadora e sustentável.