Emprego 4.0: seis perguntas para Maurício Benvenutti

Emprego 4.0: seis perguntas para Maurício Benvenutti

Empreendedor do Vale do Silício e palestrante, Benvenutti dá dicas para não ficar de fora da corrida 4.0

Sócio da plataforma digital de conexão StartSe e autor do livro Incansáveis, best-seller de negócios, o gaúcho de Vacaria, Maurício Benvenutti, não é só um grande empresário e escritor. Colunista e palestrante do TEDx, há quatro anos, fincou sua empresa no Vale do Silício, na Califórnia (EUA) e, em sua jornada empreendedora, tornou-se referência quando o assunto é inovação.

Durante a Game XP, tocou o painel Tecnologias Disruptivas, na Inova Arena, e falou um pouco sobre seu novo livro Audaz: “se o seu trabalho diário pode ser resumido em um simples check list, inevitavelmente, você será substituído por um robô em pouquíssimo tempo”. Em um papo reto com a equipe da ABDI, Maurício dá dicas de como se preparar para a avalanche 4.0 e correr da “cilada do comodismo”.

Quais são as cinco competências para o profissional que quer se inserir na indústria 4.0?

O empreendedorismo hoje é uma atitude, independente se você é um colaborador de uma empresa, um profissional autônomo, um grande empresário, um esportista. Para você desenvolver essa atitude empreendedora, há cinco habilidades a serem colocadas em prática: causar impacto, mudando a qualidade de vida das pessoas em algum aspecto; estar de olho na próxima curva do futuro, enquanto um profissional antenado e competitivo; questionar sempre ao invés de aceitar tudo o que é imposto; fazer `com` as pessoas, e não simplesmente `para` elas; e ser diverso, aplicando a diversidade de pensamento na sua vida.

E isso vale tanto para os profissionais, quanto para as empresas?

Vale para qualquer um. As novas competências que estão sendo exigidas com as novas tecnologias são uma questão de sobrevivência tanto para indivíduos, quanto para empresas. Enquanto profissional, antenado com a minha carreira – independente de ser um colaborador ou um executivo de uma grande corporação brasileira –, cada vez mais ser diferente é o 'novo normal'. Você falar só o que as pessoas querem escutar não tem valor. É mais do mesmo. Para me diferenciar, preciso assumir uma atitude questionadora, diversa, que gera impacto na sociedade, que trabalha com propósito.

Você disse que se conseguirmos colocar nossas atribuições em um check list, certamente seremos substituídos em breve pela robotização. O que fazer para driblar o desemprego com a chegada das tecnologias disruptivas?

Se olharmos no histórico das profissões, especialmente aquelas que demandam ações repetidas, já foram substituídas. Um bom exemplo é o ascensorista de elevadores. Em função desses avanços tecnológicos – e hoje a tecnologia está cada vez mais barata e acessível – eu faria o seguinte questionamento: até que ponto o que eu faço se resume a um check list? Segundo o Fórum Econômico Mundial, 65% das crianças do 1o ano escolar vão trabalhar em empregos que ainda não foram criados. Será que o médico vai continuar exercendo a medicina da mesma forma? Vai ter de fazer cirurgias à distância, utilizando braços robóticos? É preciso estar de olho na curva do futuro da sua profissão. Se preparar e se capacitar.

E como fica o Brasil diante desse grande desafio?

Sou filho de professores e defensor da educação. Se a gente analisar os países que conseguiram reverter situações de catástrofes e guerras, todos têm como pilar mais importante a educação. Pode ser clichê, mas uma população tecnologicamente alfabetizada, na minha opinião, é uma arma fantástica para a competitividade de uma nação. Quanto mais conseguirmos entregar educação de qualidade para nossas crianças, mais bem preparados estaremos para fazer esse "shift”, uma transição das profissões que são "check list" para aquelas que são "intelecto”. As escolas precisam se questionar: estamos formando repetidores de processos ou questionadores de ambientes?

Quais áreas acadêmicas você apontaria como interessantes para uma carreira promissora?

Qualquer área, desde que esteja envolvida com tecnologia. Veja, aqui na Game XP, não temos só jogos. Temos tecnologias para o transporte, braços robóticos colaborativos, drones para a agricultura, aplicativos educacionais. A tecnologia é uma commodity transversal e irreversível.

A conexão entre startups e indústrias é um caminho para um Brasil inovador?

Eu acredito muito na aproximação da experiência de grandes corporações com a tecnologia e o espírito novo das startups. Essa conexão é incrível. As startups têm um jeito diferente de entregar desenvolvimento, com outro olhar, outras ferramentas. Então, esse movimento da ABDI ajudando na conexão de startups com indústrias, como é o caso do hackaton da BRF, aqui na Game, é uma estratégia incrível. Na StartSe também fazemos essas conexões entre startups brasileiras e grandes companhias. Eu acho mágico quando você coloca gerações diferentes envolvidas em um projeto inovador.

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