Hubtalks debate como precificar inovações

Hubtalks debate como precificar inovações

Discussão sobre como valorar soluções inexistentes no mercado reuniu especialistas na sede da ABDI, em Brasília

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) promoveu nesta quinta-feira (23/11), o Hubtalks “Valuation de Tecnologias: Como Precificar Inovações?”. O encontro reuniu no Espaço Data ABDI o fundador da Wine.com.br, Rogério Salume, o gerente de Projetos de Inovação no CESAR, Thiago Bockholt, e o fundador e CEO da OverA Capital, Felipe Petersen, em uma conversa sobre como valorar soluções novas ainda não experimentadas no mercado.

O debate foi aberto pela presidente interina da Agência, Cecília Vergara, que recordou a importância das compras tecnológicas governamentais e do serviço que a ABDI presta à Petrobras com o mesmo fim, por meio do primeiro escritório de encomendas tecnológicas do Brasil, o Hubtec, lançado pela Agência em julho deste ano. “Esse talvez seja um dos projetos mais interessantes da ABDI, por que a gente pode explorar da inovação até a tecnologia e gestão desses contratos”, disse, destacando também a participação da Agência na criação da Plataforma de Compras Públicas para Inovação (Cpin).          

Os assessores especiais da ABDI André Rauen e Paulo Lacerda moderaram o debate, provocando os convidados a refletir sobre alternativas para se estimar o preço da inovação, isto é, das soluções novas que, em função de seu ineditismo, impossibilitam a aplicação de modelos tradicionalmente empregados. A orientação do debate usou como exemplo a Petrobras e a Lei da Inovação, segundo a qual cabe à Estatal precificar a nova tecnologia, mantendo-se a propriedade intelectual com o fornecedor. 

A reflexão sobre como valorar elementos desprovidos de um passado que sirva de base para se estimar comportamentos futuros teve início com Thiago Bockholt, para quem a identificação de potenciais riscos é uma etapa primordial. “Se o risco for muito alto, talvez valha a pena mudar as regras de negociação”, alertou, lembrando da necessidade de se avaliar o eventual uso de licenças pelo fornecedor – nelas, condições impostas por terceiros podem gerar dependências técnicas do produto. “Às vezes, dentro de uma esfera de velocidade, startups usam coisas pré-prontas que não estão preparadas para uma esfera de capital mista, por exemplo”, exemplificou.

Felipe Petersen, por sua vez, mensurou a dimensão do risco por meio da existência ou não de despesas recorrentes. “Será que se eu crescer para 20 clientes, o código que antes funcionava para cinco vai continuar pronto? Se sim, você tem mais valor da empresa por que você vai ter menos despesa recorrente daquele negócio”, explicou. “Significa que a margem bruta é maior, então você deveria valorar esse negócio de uma forma mais alta”, completou, justificando o menor risco embutido na inovação.      

Perguntado sobre o que levaria o indivíduo a empreender mais ou menos, a assumir mais ou menos risco, Rogério Salume trouxe outro elemento ao debate: a segurança jurídica. “É o negócio que mais estabiliza. Empreender já é um ato natural de correr risco”, afirmou. “A gente, do lado de cá, quer fazer investimento, aí você não consegue entender como funciona. Tem que ter para cada estado um contador, para cada estado um analista, para cada estado uma estrutura”, completou, sem deixar de chamar atenção para as recentes mudanças no ICMS dos estados.    

“Por outro lado, o Brasil ainda é um país incrível para se ter oportunidades incalculáveis”, observou o empresário, que, além de sugerir a utilização de royalties para o pagamento por inovação em índices progressivos, em caso de sucesso da nova tecnologia, propôs a realização de uma pesquisa sobre o tema com as maiores empresas brasileiras. 

Ao término do Hubtalk, Cecília Vergara propôs que o Brasil avance no aprimoramento da legislação vigente sobre inovação em favor da precificação das novas soluções. “Se o jurídico das empresas públicas não se predispuser a inovar nessa regulamentação, a gente não vai sair do lugar”, previu.

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