Invest Mining Summit debate estratégias para destravar investimentos em minerais

Invest Mining Summit debate estratégias para destravar investimentos em minerais

ABDI apresentou no maior evento do setor iniciativas para viabilizar polos regionais de beneficiamento e mecanismos para antecipar financiamentos à cadeia produtiva

Financiadores, representantes governamentais e empresários do setor mineral reuniram-se em São Paulo (SP), nesta terça-feira (20/10), na 3ª edição do Invest Mining Summit 2026, o maior e mais importante evento voltado para investidores do setor de mineração no Brasil. Promovido com apoio da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o encontro debateu as oportunidades de negócios e o potencial do segmento como alternativa de investimento.

A ABDI foi representada no encontro por seu chefe de Gabinete, Nikolas Passos, no painel “Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos: o impacto no mercado de capitais”.

No debate, que também contou com a participação do diretor do Departamento de Transformação e Tecnologia Mineral do Ministério de Minas e Energia (MME), Anderson Arruda, e do diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Sousa, Passos destacou a prontidão da ABDI de atuar na viabilização e aceleração de projetos ligados à nova lei de minerais críticos, conectando o setor produtivo a linhas de financiamento e estruturando a demanda nacional.

Diante do desafio de tornar financiáveis os créditos fiscais previstos na legislação apenas para o período de 2030 a 2034, a Agência, afirmou Passos, aposta na modelagem de projetos executivos regionais, como o beneficiamento de lítio no Vale do Jequitinhonha, e na reconversão de plantas da indústria química ociosa para a separação de terras raras.

O representante da ABDI também mencionou a parceria com o BNDES, a Finep e a Embrapii que criou o Portal Investe Indústria Brasil, plataforma on-line hospedada pela Agência com a função de mapear e destravar gargalos financeiros, regulatórios e de licenciamento a fim de assegurar que o setor mineral consiga antecipar investimentos.

“A ABDI tem trabalhado na aceleração desses projetos de diversas formas, mapeando a demanda e desenvolvendo polos de beneficiamento regional. Estamos muito dispostos a entender os gargalos financeiros e não financeiros, como o licenciamento e a regulação, e a atuar em conjunto com o BNDES, a Finep e a Embrapii para destravar e acelerar o processo de industrialização dos minerais críticos e estratégicos”, explicou.


Nikolas Passos: “Estamos muito dispostos a entender os gargalos financeiros e não financeiros, como o licenciamento e a regulação”


Atração de investimentos

Ao tratar das ações do MME, Anderson Arruda informou que o ministério avança na regulamentação da nova lei de minerais críticos com o objetivo de estabelecer critérios objetivos para o mecanismo de triagem de investimentos. A prioridade da pasta é definir diretrizes transparentes que permitam aos fundos e às mineradoras precificarem riscos de forma clara, assegurando que o controle de ativos estratégicos não comprometa a velocidade e a viabilidade das operações societárias no país.

“A lei de minerais críticos é, em sua essência, uma legislação de fomento, e não de controle. Nosso objetivo não é travar investimentos, mas sim criar um ambiente de atração com segurança jurídica. Estamos trabalhando para definir critérios objetivos e procedimentos com prazos curtos, de 40 a 50 dias, para que o capital privado perceba rapidamente que o foco do mecanismo de triagem não é burocratizar o setor, mas, sim, desenvolver uma indústria estratégica no Brasil resguardando o interesse nacional”, declarou Arruda.

O diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Sousa, por sua vez, abordou o cenário de transição e os desafios operacionais do setor. Segundo ele, a ANM aguarda a regulamentação da nova lei de minerais críticos para definir como o novo cadastro nacional de projetos será integrado à sua base de dados.

Embora já avance na adoção de padrões internacionais de certificação, a agência reguladora busca esclarecer seus limites de atuação para evitar conflitos de competência com o novo conselho instituído pela legislação. A intenção, explicou Sousa, é que os direitos minerários tenham a credibilidade necessária para embasar operações financeiras.

“Já temos resoluções que aplicam a metodologia do CRIRSCO [Comitê para Padrões Internacionais de Relatório de Reservas Minerais], e nossa tendência é sempre incorporar as boas práticas do mundo, mas a dificuldade hoje é entender em que momento nós entramos. Há uma zona de sombreamento e, eventualmente, até de sobreposição de atribuições entre a Agência Nacional de Mineração e o próprio conselho que foi criado”, ponderou.

Mecanismos de financiamento

O encontro em São Paulo proporcionou um espaço qualificado para o debate sobre os diferentes mecanismos de financiamento disponíveis no mercado. A programação atendeu a toda esteira produtiva da mineração, desde projetos greenfield (em fase pré-operacional e de pesquisa) até empreendimentos brownfield (que já estão em operação e buscam expansão ou otimização tecnológica).

Ao se posicionar como o ponto de encontro definitivo entre o setor produtivo e o universo dos investimentos, o Invest Mining Summit 2026 estreitou relações e mitigou assimetrias de informação. Com o apoio da ABDI, o evento impulsionou a geração de novas oportunidades de negócios, fundamentais para a neoindustrialização e para a competitividade do Brasil no cenário global.

Fotos: Invest Mining