Na escola ou na empresa, jogos são usados para aprendizagem

Na escola ou na empresa, jogos são usados para aprendizagem

Se jogar basquete no ginásio do colégio já é bom, imagina numa quadra digital da NBA? Esta foi a experiência que 80 alunos de escolas públicas do Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, tiveram no primeiro dia da Game XP. Eles participam de um projeto da Liga Norte Americana de Basquete na Vila Olímpica da comunidade carioca e foram convidados a conhecer o espaço na maior feira de jogos eletrônicos da América Latina.

O objetivo é promover a modalidade no país, combinando esporte, tecnologia e inovação, como explica o Head da NBA no Brasil. “A nossa intenção aqui é trazer as crianças e os jovens para aproximá-los destas oportunidades que criamos com a plataforma”, afirmou Rodrigo Vicentini.

As colegas Eyshila Souza, 10 anos, e Lorrayne Silva, 11 anos, conheceram o basquete nas aulas da Jr NBA na Vila Olímpica da Maré. Estudantes da escola municipal Nova Holanda, elas se tornaram fãs do esporte. “A gente tem que acabar o dever para poder ir. Aí vai todo mundo correndo para a quadra”, descreve Eyshila. “Eu gosto de tirar time e jogar contra, porque eu gosto de fazer cesta. Gosto muito de jogar”, exalta Lorrayne.

O professor Cleber Mourão destaca o desenvolvimento no aprendizado das crianças e jovens com o envolvimento em projetos como este. “A nossa ideia é trabalhar valores como a disciplina, o respeito e humildade, unindo valores esportivos com o cotidiano deles”, afirma o docente de educação física. “A gente tem o retorno dos pais e das escolas e o que a gente percebe é que a agressividade deles diminuiu muito e o diálogo cresceu”, completa.

A educação aliada à tecnologia pode trazer diversos ganhos pedagógicos, segundo Lucas Moraes, sócio e fundador do estúdio de Games Edulabzz, parceiro da ABDI na Game XP. “Os games têm um poder muito mais educacional que de entretenimento. Com os games você consegue estruturar as regras e as trilhas de aprendizagem. Para mim é uma ferramenta pedagógica. Os games de entretenimento ganharam o mundo e o que a gente quer é aproveitar este público e apresentar um novo conceito: Que tal você aprender jogando? Que tal jogar e aprender?”, questiona.

Os jogos eletrônicos também podem ser um incentivo para a prática do esporte. É o que atesta Mateus Fernandes, 18 anos, que participa do projeto Jr NBA na Maré e já disputa campeonatos na base. “Espaços como esse incentiva muito. As criancinhas de sete, oito anos já ficam de olhos abertos. Fico felizão com isso”, afirma, enquanto aguarda a vez de entrar na quadra digital.

Fã do jogador norte-americano Le Bron James, o jovem conta que o projeto muda a realidade no local onde vive. “Muda para o lado positivo, não fica um clima muito pesado, ainda mais porque a gente mora numa comunidade. Esta é uma oportunidade de tirar a galera da rua, de praticar um esporte, não ficar à toa. Muitos colegas saem da rua para jogar basquete, futebol e vários outros esportes que têm lá”, elogia o ala armador Mateus Fernandes.

Gamificação

A Edulabzz leva em conta o conceito da pirâmide do aprendizado. Segundo Lucas Moraes, esta definição considera as diferentes formas de cognição que cada um tem. “A ideia do game é estimular todos os sentidos deste aluno, para que ele aprenda na prática. Ele é desafiado dentro do game a tomar uma decisão. Às vezes o conteúdo da escola é muito teórico, então a ideia de inverter a lógica de primeiro apresentar o conteúdo para depois perguntar, para a lógica de primeiro perguntar e depois ir atrás é a grande novidade dos games para educação”, conta.

A gamificação também é muito aplicada em treinamentos corporativos e estimula o aprendizado por meio de desafios, missões e etapas a serem ultrapassadas. “A gamificação tem um papel muito importante que é o de usar os elementos que engajam os jovens nos jogos de entretenimento para uma atividade educacional. Na nossa opinião é muito importante incluir a gamificação no processo pedagógico”, acrescenta Lucas Fernandes.

A gamificação também pode ser feita sem tecnologia. “Alguns professores conseguem gamificar suas aulas usando games de papel e outras mecânicas que não são digitais. Quando a gente fala em gamificação, a gente abrange toda a dinâmica do jogo, a competição, tudo que pode agregar de elementos para incentivar o aprendizado”, explica o sócio da Edulabzz.

A empresa superou R$ 1 milhão de faturamento este ano e tem mais de 50 universidades e 36 empresas como clientes. O estúdio produz jogos sob demanda e tem um cardápio de games disponíveis em lojas de aplicativos digitais. O Jogo de Empresas é um destes games e foi apresentado na Inova Arena, na Game XP, com a competição entre dois times.

“Foi um convite muito bacana da ABDI para poder mostrar nosso trabalho e poder agregar um pouco de valor para a arena, trazendo na prática o funcionamento deste processo de gamificação. A gente está muito feliz de organizar este torneio”, concluiu o jovem empresário.

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