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ABDI e Anatel firmam acordo para testar redes privativas de 5G

Resultados vão ajudar Anatel a regular as redes privativas de 5G para uso empresarial. Testes vão começar no ambiente industrial, em parceria com o Grupo WEG

Fernanda Melazo | 12/11/2020

Acordo de cooperação técnica (ACT) assinado nesta quinta-feira, dia 12 de novembro, entre a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) permitirá a realização de testes do uso empresarial de redes privativas de tecnologia 5G. O evento de assinatura do ACT ocorreu na sede da Anatel, em Brasília, e contou com as presenças dos presidentes da ABDI, Igor Calvet; da Anatel, Leonardo Euler de Morais; e o diretor de Desenvolvimento Produtivo e Tecnológico da ABDI, Carlos Geraldo.

O objetivo é verificar o desempenho das redes em diferentes faixas de frequência, para que as empresas possam operar a tecnologia 5G, de forma privativa, em suas áreas de produção. O primeiro projeto piloto será realizado pela ABDI em parceria com o Grupo WEG.

“O advento da tecnologia 5G é um marco na quarta revolução industrial e representa hoje a melhor política industrial para o País. O uso de redes privativas pelas empresas é uma tendência mundial que pode garantir ao setor produtivo ganhos expressivos de eficiência e produtividade”, afirmou o presidente da ABDI, Igor Calvet.

Segundo Calvet, o acordo com a Anatel vai permitir que a ABDI coopere com informações para a melhor tomada de decisão sobre a regulação das redes privativas. “É ótimo poder cooperar com a instituição para promover o melhor ambiente para a competitividade do país e para o estímulo dos novos modelos de negócios que vão surgir a partir do 5G, e que serão fundamentais para nossa retomada”.

“O acordo de cooperação técnica entre ABDI e a Anatel deriva do bom diálogo institucional e do reconhecimento da importância do desenvolvimento e da implantação de redes privativas de telecomunicações, notadamente aquelas utilizadas em aplicações de controle logístico, sensoriamento, monitoração, automação e demais necessidades da chamada indústria 4.0”, disse o presidente da Anatel, Leonardo Euler.

O objetivo do acordo é o desenvolvimento de projetos-piloto para experimentação e validação de faixas de frequências, larguras de faixas necessárias, requisitos de taxas de transmissão e demais KPI (Key Performance Indicators) para aplicação de tecnologia IMT – como o 5G, por exemplo – em ambientes selecionados.

O produto final será um conjunto de estudos que indiquem referências técnicas para subsidiar o processo de discussão regulatória com informações sobre faixas de frequências mais adequadas e larguras de faixas necessárias para diversas aplicações em redes privativas implementando tecnologias IMT, em especial 5G.

O acordo entre a ABDI e Anatel prevê a realização de testes em três ambientes: indústria, agronegócio e cidades. Esse processo independe da realização do leilão das faixas de espectro que serão utilizadas para a implementação do 5G no Brasil. Com os testes, a agência reguladora terá informações para estabelecer as faixas de frequência que as empresas poderão usar, fora das faixas que serão objeto da licitação, prevista para o próximo ano.

Os testes também vão gerar dados para novos modelos de negócios, considerando diferentes ambientes de implementação. Outra vantagem é que as informações podem ajudar as empresas a minimizarem riscos e custos de implantação de redes privativas de 5G em plantas industriais e fazendas, por exemplo.

Parceria ABDI-WEG

Os primeiros testes ocorrerão em ambiente industrial a partir de uma parceria entre a ABDI e o Grupo WEG. “Estamos disponibilizando a nossa melhor estrutura para a realização dos testes, tendo o compromisso de gerar dados consistentes acerca da viabilidade econômica e ponto de equilíbrio na transição para a tecnologia 5G, bem como permitindo à WEG testar e validar o desempenho de produtos e softwares neste novo ambiente de conectividade.  Ainda que o projeto seja realizado em um ambiente fabril, os benefícios gerados não se limitam à indústria em específico, pois tais aplicações são amplamente utilizadas nas mais variadas práticas”, explica Carlos Bastos Grillo, Diretor de Negócios Digitais da WEG.

Segundo Guilherme Spina, Diretor da V2COM, empresa do Grupo WEG, será possível testar na prática mais de uma rede 5G na mesma localização, inicialmente com uma rede privativa via operadora e outra com infraestrutura local. “Teremos implementações de arquitetura de redes diferentes, uma convencional e outra virtualizada, e também testaremos as faixas de frequência 5G por ondas milimétricas bem como sub 6 GHz, o que vai dar subsídio para a definição dos requisitos e condições de uso dessas faixas de frequência para uso industrial”, explica o executivo.

5G e o impacto para a indústria

A rede 5G terá papel central na transformação digital da economia e da sociedade no Brasil. É considerada hoje uma tecnologia habilitadora para a chamada Quarta Revolução Industrial. E vai garantir um salto tecnológico com capacidade para modificar estruturas de produção, com ganhos para a produtividade e competitividade.

A novidade está na sua grande capacidade de transmissão de dados, cem vezes mais rápida do que a 4G. Além disso, tem baixa latência, que mede a velocidade de resposta, assegurando comunicação em tempo real e permitindo que equipamentos sejam operados remotamente e de forma simultânea.

As redes privativas são uma tendência mundial. A Alemanha, por exemplo, já estabeleceu faixas de frequência exclusivas para uso empresarial da tecnologia 5G. Nesse contexto, a ABDI, em articulação com a Anatel, governo federal e o setor produtivo conduz discussões sobre as perspectivas de implantação, no Brasil, das redes de aplicação privada de 5G e seus benefícios. O objetivo é mapear as necessidades atuais e futuras do setor produtivo relacionadas à tecnologia 5G, com a finalidade de buscar a maior eficiência, produtividade e competitividade, que contribuam para a geração de empregos qualificados e para o desenvolvimento do país.