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Aplicativo garante economia de R$ 480 mil ano para empresa de laticínio

Projeto piloto utilizando as funcionalidades do telefone celular foi desenvolvido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial em agroindústria de Cacoal (RO)

Fernando Rotta | 27/03/2019

Um aplicativo de celular está transformando a cadeia produtiva do leite em Cacoal (RO). Graças à funcionalidade da tecnologia, houve melhora no manejo do rebanho e das pastagens, na coleta e no transporte, aumentando a produtividade. Depois de seis meses de utilização do app “Esteio Coleta” – disponível para sistema android –, a produtividade do queijo da empresa Laticínio Jóia teve um incremento de 3,2%. 


O projeto piloto do app foi desenvolvido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) a partir de diagnóstico realizado junto aos produtores locais. “Para cada quilo de queijo, utilizava-se 9,8 litros de leite. Agora, são usados 9,2 litros de leite. Isso representa para o laticínio uma economia de 40 mil reais por mês”, explica o especialista em Desenvolvimento Produtivo da ABDI Antonio Tafuri. A redução de custos chega a R$ 480 mil ao ano.

Havia imprecisão nos registros feitos pelos produtores, assim como falhas na comunicação durante o transporte e a entrega do laticínio. Identificados os gargalos, a ABDI propôs utilizar tecnologia para ajudar na reorganização da cadeia do leite da região. “Verificamos que haveria a possibilidade de trazer uma ferramenta digital para facilitar, não apenas a vida de quem recebe, que é o laticinista, como também de quem fornece o leite, os produtores”, contou Tafuri.

A startup DINNI Soluções e Sistemas, incubada no Centro Tecnológico da Universidade Federal de Viçosa (MG), tinha desenvolvido dois aplicativos voltados para gestão agrária e foi contratada para atuar em Cacoal no projeto piloto da ABDI. O app oferece, por exemplo, georreferenciamento desde a coleta do leite, a saída dos caminhões, a rota traçada, informações sobre o motorista e a condição das estradas, até o horário da chegada dos tanques no laticínio. A ferramenta também permite melhorar a gestão do rebanho leiteiro pelos produtores, assim como o manejo da pastagem.

Para o administrador da Laticínio Jóia, Alessandro Rodrigues, o principal ganho é a diminuição de erros no preenchimento das informações. “A gente lança a quantidade de leite coletado e o valor já cai no nosso sistema. Não tem a possibilidade de clicar com o dedo em um número errado. Vai nos ajudar muito na questão de mão de obra e transparência com o produtor”, relata.
 

Quando o motorista digita as informações no aplicativo, elas chegam automaticamente na central de informações da empresa Jóia. Basta, para o processo, um sinal de internet. Caso a propriedade não tenha wi-fi, as informações ficam registradas e são encaminhadas para o laticínio assim que o celular do motorista chegar em um local com acesso à internet.


O Coordenador de Qualidade do Leite da empresa, Fernando de Oliveira, destaca a otimização no processo de coleta. “Hoje, o produtor faz a anotação em blocos, essas folhas vêm para o laticínio e são lançadas manualmente para o sistema. As falhas no processo são várias. O motorista pode esquecer o papel na propriedade rural por algum motivo. Tem o caso de o papel sujar ou danificar, rasurar, molhar durante um dia de coleta com chuva”, explica.

Sem a digitalização do processo, sempre que o papel é perdido, é preciso deslocar outro colaborador da empresa para reaver as anotações. Como as rotas são longas, em média cada caminhão roda 450 quilômetros por dia, esse trajeto é extremamente oneroso para a empresa.

A melhora na coleta e também no manejo do gado propiciada pelo aplicativo possibilitaram a qualificação do produto final: o queijo muçarela. Com a organização da cadeia, o leite chega mais fresco e reduz o desperdício, por exemplo. Para o especialista da ABDI, além dos benefícios obtidos em Cacoal, destaca-se a possibilidade de multiplicação do projeto. “A metodologia está validada para ser replicada, não apenas em Rondônia, como em qualquer local do Brasil. Alguns pontos positivos: ela é simples, tem um custo muito razoável para os produtores e para o laticinista, conta com ferramenta digital – adaptando-se a um contexto de economia digital – e é um aplicativo de fácil utilização por todos os atores da cadeia”, completa.