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Cresce registro de patentes no Brasil em máquinas e equipamentos que usam IA

Estudo feito pelo Ministério da Economia, INPI e ABDI mostra que Estados Unidos são responsáveis pela maioria desses pedidos de patentes. Brasil vem em segundo lugar. Entre os registros de residentes, equipamentos médicos e universidades públicas se desta

UCM | 25/04/2022

A Phelcom, uma startup fundada em São Paulo, desenvolveu um equipamento que usa Inteligência Artificial (IA) para avaliar e indicar características sintomáticas de doenças oftalmológicas, por meio de imagens do fundo do olho. Essa solução, criada no Brasil, gerou um pedido de registro de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). “A gente faz questão de se proteger pelos mecanismos legais, no caso das patentes. E isso vira um ativo de negociação futura para a nossa empresa”, revelou Flávio Pascoal, fundador da startup. A Phelcom é o exemplo do perfil dos residentes nacionais que registraram patentes no Brasil em máquinas e equipamentos com IA nos últimos anos.

Clique aqui para ouvir a entrevista com Flávio Paschoal (Phelcom) e com os coordenadores do estudo.

Estudo recém elaborado pelo Núcleo de Inteligência em Propriedade Industrial (NIPI), em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), mostra que o número de registros de patentes no país de máquinas e equipamentos com IA apresentou crescimento exponencial a partir de 2009, um aumento de 188,9% no período até 2013. Se considerar apenas os registros de residentes nacionais, o aumento mais significativo ocorreu a partir de 2015, chegando a triplicar entre os anos de 2015 e 2019, de 30 para 94 registros anuais.

Clique aqui para acessar o estudo completo

O NIPI é composto por integrantes da Secretaria Especial de Produtividade e Competitividade (SEPEC) do Ministério da Economia, do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e da ABDI. O estudo Inteligência Artificial em Máquinas e Equipamentos lança os resultados no Dia Mundial da Propriedade Intelectual (26/04), estabelecido pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual, para aumentar a conscientização sobre como patentes, direitos autorais, marcas e desenhos impactam a vida diária, além de celebrar a criatividade e a contribuição de criadores e inovadores para o desenvolvimento das sociedades.

Segundo o estudo, embora tenha havido aumento no número de residentes do Brasil que registraram patentes em máquinas e equipamentos com IA, o nível ainda é muito baixo em relação ao total de pedidos dessa área no país. Em 2019, foram 94 registros frente a 419 de pedidos totais. Ou seja, que o setor de IA representa apenas 22,4% do total de depósitos de residentes.

O estudo também revelou que o Brasil é responsável pelo segundo maior número de pedidos de registros (576), mas esse total é 3,7 vezes menor do que os pedidos feitos pelos Estados Unidos, responsáveis por 2.181 pedidos.

“Apesar dos residentes do Brasil estarem em segundo lugar, eles contemplam apenas 10% dessas invenções, o que quer dizer que empresas de fora estão vindo registrar suas invenções aqui e conseguindo exclusividade de mercado, e são responsáveis por quase 90% da amostra”, avaliou Cristina D'Urso, Chefe da Divisão de Estudos e Projetos, do INPI.
Dentre os registros de residentes, a área médica e as universidades são os maiores responsáveis pelos pedidos de patentes no Brasil em equipamentos e máquinas com IA. O setor de saúde responde por 17%, seguido por reconhecimento de padrões (16%), elétricos (15%) e mecânicos (13%). Ao todo, foram identificadas 15 categorias.

A amostra revelou ainda que seis dos dez maiores residentes que pediram o registro de patente são universidades públicas brasileiras, tendo a Unicamp como a primeira com 29 pedidos, seguida da Samsung Eletrônica da Amazonia Ltda (21); Embraer S.A (16).  A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) está em sexto com (08).

Tal resultado sinaliza uma lacuna de participação das empresas brasileiras no desenvolvimento e patenteamentos de tecnologias de máquinas e equipamentos com IA embarcada, de acordo com o estudo. “Demonstra também a oportunidade de se trabalhar a transferência tecnológica e de se buscar parcerias para desenvolvimento conjunto entre empresas e universidades brasileiras nessa área, afirmou Rogerio Araújo Dias, Analista de Produtividade e Inovação da ABDI.

Já entre os não residentes, destacam-se os registros relacionados à área de transporte. Há uma predominância de empresas como a Nissan, Scania e Boeing. E a cinco principais aplicações funcionais de IA identificadas nas máquinas e equipamentos correspondem a Visão Computacional (3.223), Método de controle (546), Inteligência Artificial Distribuída (312), Processamento da fala (75) e Processamento de linguagem natural (74).

O levantamento dos pedidos de patentes depositados no Brasil foi realizado utilizando a base Derwent Innovation®, uma vez que esta contempla todos os parâmetros utilizados nesta estratégia, além de permitir o uso de palavras-chave em inglês. Não foi aplicada restrição temporal para o levantamento da amostra.

Achados do estudo:

País

Número de pedidos (origem da tecnologia)

USA (US)

2.181

Brasil (BR)

576

JAPÃO (JP)

563

França (FR)

276

ALEMANHA (DE)

225

 

 

 

Principais empresas depositantes 

Número de pedidos

Nissan 

248

Microsoft

238

Qualcomm

152

Scania

129

Boeing

124

Philips

114

 

Principais depositantes residentes

Número de pedidos

Unicamp

29

Samsung Eletronic da Amazônia LTDA

21

Embraer S.A.

16

Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações

11

Vale S.A.

08

Universidade Federal de Minas Gerais  (UFMG)

08

 

Principais categorias com IA

Número de pedidos

Processamento de dados digitais

1.316

Medição e Contagem

1.119

Reconhecimento de padrões

1.063

Transporte

936

Comunicação elétrica

730

 

Cinco Principais aplicações funcionais de IA

Número de pedidos

Visão computacional

3.223

Método de controle

546

IA Distribuída

312

Processamento da fala

75

Processamento da linguagem natural

74