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Melhorar processos e aumentar produtividade motivam mais de 70% dos empresários

Sondagem de Inovação da ABDI também revela que maioria das indústrias priorizam as tecnologias no planejamento das empresas

Gabriel Fialho | 31/10/2019

Melhorar os processos internos. Esse é o principal motivo para investir em digitalização, segundo 74% das empresas que responderam à Sondagem de Inovação da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial. O segundo objetivo apontado pelos entrevistados é aumentar a eficiência e a produtividade, com 73%. A pesquisa trimestral da ABDI, encomendada à Fundação Getúlio Vargas (FGV), abrange as indústrias com pelo menos 250 funcionários.

Os resultados se referem ao segundo trimestre de 2019 e, segundo o coordenador de Planejamento e Inteligência da ABDI, Rogério Araújo, refletem uma tendência das empresas em buscarem novas formas de produzir. “Os empresários estão percebendo que a digitalização da economia é um processo irreversível e que para ser competitivas, as indústrias têm que inovar. Um sinal disso é que apenas 9,7% dos respondentes ainda não têm uma estratégia digital”.

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Outro motivo apontado pelos entrevistados para digitalizar as empresas é melhorar a tomada de decisão, objetivo de 60,8% dos industriais. Seguido pelas oportunidades para criar mais valor e novos modelos de negócio (42%) e reduzir custos de vendas, utilizando canais digitais (34%).

A pesquisa da ABDI também perguntou o nível de prioridade das tecnologias no planejamento das empresas. Para 80%, a tecnologia já se encontra no planejamento ou a empresa está se preparando para incluir o item em seus planos. Para 11,1% deste total, a tecnologia é prioridade máxima no planejamento.

“Podemos ressaltar ainda, que mesmo aquelas empresas que não têm a tecnologia como prioridade no planejamento, que são 16,9%, entendem a importância das ferramentas tecnológicas. Somente 3,1% não enxergam com importância a questão”, analisa Rogério Araújo.

A Sondagem investigou também a implementação de novos softwares, a proteção contra ameaças cibernéticas e a distância para uma empresa ideal transformada por tecnologias digitais. São 61,3% das indústrias que não implementaram novos softwares e 94,2% que se protegem contra ameaças cibernéticas. Considerando o modelo ideal, mais da metade das empresas consideram que estão perto ou muito perto do modelo ideal (54,6%). Enquanto, 35,5% afirmaram estar longe ou muito longe.

Investimentos

A Sondagem também mostra que as empresas voltaram a investir em inovação no 2º trimestre de 2019, após uma redução no período anterior. O indicador subiu 10,1 pontos, quando passou de 102,9 para 113 pontos na comparação. Pelo quinto trimestre consecutivo, o indicador registra resultados superiores aos 100 pontos, quando a proporção de respostas favoráveis supera as desfavoráveis.

O dado é obtido pela diferença entre a proporção de empresas que afirmaram ter aumentado os gastos em inovação e aquelas que mantiveram ou diminuíram, acrescido de 100. Quando o indicador, que varia em uma escala de 0 a 200, se mantém abaixo dos 100 pontos, significa que um maior número de empresas diminuiu ou não realizou investimentos em inovação no período pesquisado.

Entre o 1º e o 2º trimestre de 2019, as empresas que aumentaram os gastos em inovação passou de 18,7% para 21,9%, nível próximo ao do 4º trimestre de 2018 (22,8%), enquanto as que gastaram menos caiu de 7,9% para 4,8%. O percentual de empresas que disseram que não fizeram gastos voltou a cair, ao passar de 7,9% no 1º trimestre de 2019 para 4,1% no 2º trimestre de 2019.

Produtos e Processos

A proporção de empresas que realizaram algum tipo de inovação tecnológica, seja em produto ou processo, internamente ou direcionado ao mercado nacional, subiu de 43,6% para 44,4% entre o 1º e o 2º trimestre de 2019. Este é o melhor resultado desde os primeiros meses de 2018 (45,9%).

As inovações feitas pelas empresas no trimestre analisado sinalizam aumento de 2,4 pontos percentuais em produtos novos ainda não existentes no mercado. Passou de 10,9% para 13,3% de um período para outro. Com relação aos processos novos para o mercado, 8,5% das empresas inovaram no 2º trimestre de 2019, uma queda de 1,8 pontos percentuais em relação aos três meses anteriores, mas 0,8 pontos acima do resultado do mesmo trimestre de 2018 (7,7%).