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Transformação digital da construção já é realidade no Brasil

Seminário sobre BIM reúne mais de 300 participantes para debater e divulgar a Plataforma BIM BR e a Biblioteca Nacional BNBIM

Bruna de Castro | 11/04/2019

Imagine um conjunto de tecnologias e processos integrados que permite a criação e a atualização de modelos digitais de uma construção, de forma colaborativa e acessível aos participantes do empreendimento, durante todo o ciclo da obra. Apesar de parecer história de ficção, esse cenário já é possível com o uso do BIM (do termo em inglês, Building Information Modelling), uma metodologia de digitalização e padronização amplamente utilizada em países como Estados Unidos, Reino Unido, Suécia, Dinamarca, Coreia do Sul, Singapura, e que começa a se tornar realidade no Brasil.

Um passo importante para essa mudança de paradigma foi dado durante o 2o Seminário de Disseminação do BIM e a Indústria de Materiais de Construção no Brasil, promovido nesta quinta-feira (11), pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e pela Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Construção (Abramat), durante a Feicon Batimat, em São Paulo.

Na abertura do painel sobre as ações do governo federal para disseminação do BIM no Brasil, a coordenadora de Difusão Tecnológica da ABDI, Talita Daher, apresentou a Plataforma BIM BR e a Biblioteca Nacional BIM (BNBIM). "Nosso objetivo é contribuir para a mudança de paradigma da construção civil no Brasil. E nesse ponto, o BIM é uma revolução, já que estamos falando de uma redução de custos com insumos em até 20% e um aumento de 4% nos custos com TICs, design, arquitetura e engenharia. Ao final, acreditamos que deverá haver uma redução de quase 10% no custo total com construção civil", enumerou Talita.

Para o presidente da Abramat, Rodrigo Navarro, não tem como falar em indústria 4.0, cidades inteligentes e economia digital sem o envolvimento da construção civil. "Qualquer tecnologia prevista na 4a Revolução Industrial tem de passar, necessariamente, pela construção civil. São inovações em mobilidade urbana, em infraestrutura de cidades, em segurança digital. Temos de estar envolvidos e preparados para essa mudança de cultura", pontuou, ao frisar que a Plataforma BIM BR "é um passo importante para que o setor tenha um espaço de padronização e conformidades técnicas dos seus objetos. O BIM vai entrar pesado nisso", ressaltou.

Em sua apresentação, a subsecretária da Indústria, da Secretaria de Produtividade, Emprego e Competitividade (SEPEC), do Ministério da Economia, Talita Saito, fez um balanço de todas as ações governamentais para a promoção do BIM no Brasil e apresentou a Estratégia, os avanços e perspectivas da política. "O governo está absolutamente comprometido com a disseminação do BIM. Prova disso é que a Estratégia, lançada em maio de 2018, envolve a participação de nove ministérios e já tem um roadmap bem definido. As ações já estão em curso e a meta é que, até 2028, o BIM esteja integralmente adotado pelo setor, inclusive como critério para as obras públicas", apontou Saito. Segundo ela, quando implementada, a metodologia deverá elevar o PIB da construção civil em quase 30% (28,9%).

Divulgado na Cartilha da Estratégia BIM BR e publicado na Plataforma, o roadmap prevê que a primeira fase de exigência do BIM em obras públicas será iniciada em 1º de janeiro de 2021, a partir do qual será exigido que a metodologia seja aplicada em projetos de arquitetura e engenharia. A segunda fase terá início em 1º de janeiro de 2024, quando será exigido o BIM nos projetos e na execução das obras. Já, a última fase iniciará em 1º de janeiro de 2028, momento em que será exigido em projetos, execução das obras e pós-obra (gerenciamento e manutenção).

“O BIM é um instrumento de economia de escala, mas só vai pegar com o envolvimento e a cooperação do setor produtivo", destacou a subsecretária, ao finalizar convidando todo o setor produtivo a colaborar e a participar da construção da Plataforma.

Cases de sucesso

Com a participação de mais de 300 profissionais, empresários e consultores da construção civil, a apresentação dos cases de sucesso das empresas foi o ponto alto do seminário.

A gerente de Marketing da Gerdau, Janaina Silva, contou que a empresa trabalha com BIM desde 2016. “Fizemos um hackathon para a construção da nossa biblioteca. Foi um momento de troca, muito rico e onde percebemos que o BIM não é o futuro. É o presente. O cliente não quer só um perfil estrutural. Ele quer uma solução completa e customizada para a atender a necessidade dele. E isso só é possível com o BIM”.

Gestores da Deca e da Saint Gobain também apresentaram suas jornadas na construção de bibliotecas BIM. "A ideia não é garantir apenas a geometria e a funcionalidade dos nossos objetos. Mas ter o controle, a precisão, a transparência e a certeza de que conseguimos atender os padrões de inovação exigidos nessa revolução da indústria 4.0", lembrou Osvaldo Barros, especialista de Engenharia de Aplicação da Deca.

Douglas Meirelles, gerente de Engenharia e Produtos da Saint Gobain, uma companhia de mais de 300 anos de fundação, reforçou que a empresa que não estiver preparada para atuar em BIM, não conseguirá sobreviver. "Já temos nossa biblioteca e enxergamos nessa iniciativa do governo um importante passo para uma nova etapa da construção no Brasil. Estamos empenhados em participar e em contribuir com essa disseminação", finalizou Meirelles.

Pela ABDI, também participaram do Seminário o analista de Produtividade e Inovação, Leonardo Santana, e o assistente de projetos, Claudionor Filho.