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Uniformes inteligentes trazem ganhos para ações militares e setor têxtil

Funcionalidades de nanotecnologia prometem melhorar o rendimento das tropas do Exército e fomentar a indústria têxtil e tecnológica

Paula Fettermann | 20/01/2020

Frescor, controle térmico, ação repelente, e ação antimicrobiana em um tecido de alta performance. Essas são as funcionalidades de nanotecnologia aplicadas aos novos uniformes do Exército. As primeiras cinco unidades estão prontas e outras 950 serão produzidas após o teste das primeiras peças. A iniciativa é da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) junto com o Exército Brasileiro.

As 950 fardas distribuídas ao Exército serão testadas na prática, em ambiente relevante. Em seguida, os soldados que usarem o uniforme serão submetidos a um questionário de avaliação desenvolvido pela Agência e pela corporação. A fabricante das peças é a Astro ABC Indústria e Comércio LTDA, empresa vencedora da licitação aberta pela ABDI em setembro de 2019.

Depois da fase de teste de campo, com os novos usos aprovados, a empresa contratada entregará outras 400 unidades, correspondentes ao lote final, com potenciais aperfeiçoamentos. A inovação deve melhorar as condições de conforto e o desempenho operacional dos soldados. “A ABDI está propondo um novo produto com potencialidades que vão garantir maior capacidade de ação e que o Exército não fazia uso no fardamento. Nós, junto com eles, vamos atestar as novas funções”, destaca Larissa Querino, responsável pelo projeto na Agência.

O Projeto

O Uniforme Inteligente é uma iniciativa da ABDI e recebe o apoio do Exército, que já desenvolve o Projeto Combatente Brasileiro (COBRA). O objetivo é atender uma demanda das Forças Armadas por vestimentas mais confortáveis e adequadas às operações militares e, ao mesmo tempo, difundir técnicas inovadoras do setor têxtil.

No início de 2019, foi criada uma força tarefa contando com a participação do Ministério da Defesa (MD), Exército, Marinha e Aeronáutica, IMBEL (Indústria de Material Bélico do Exército), Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), SENAI-CETIQT, Instituto Federal Fluminense (IFF) e Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI-USP) . O grupo definiu os itens que deverão compor o Uniforme Inteligente, bem como as funcionalidades, requisitos e tecnologias a serem exigidas no lote piloto do produto. As cinco primeiras unidades a serem verificadas são a primeira entrega do projeto. Às peças, foram incorporadas funcionalidades e tecnologias de última geração.

A ABDI apoia o desenvolvimento da Base Industrial de Defesa (BID) por meio da articulação e cooperação com o Governo (demandante) e empresas fornecedoras de produtos e serviços de defesa. Entre as iniciativas, destacam-se ações orientadas ao desenvolvimento da inovação e à adoção de tecnologias voltadas para o aumento da competitividade do setor produtivo, com o foco em produtos, tecnologias e aplicações para os mercados interno e externo. “Desta forma, promovemos o desenvolvimento da inovação na indústria, por meio do estímulo das competências no setor têxtil e de eletrônica”, explica Larissa.

Setor Têxtil

A indústria de defesa é um dos principais demandantes de inovação, de novos materiais e de processos inovadores, no entanto os benefícios também transbordam para o uso civil. "No começo trabalhamos com um grupo pequeno mas depois que essa tecnologia é testada e aprovada, ela entra num conceito dual, ou seja um conceito que pode atender tanto a área militar quanto a civil", afirma Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit).

O presidente destacou também que as funcionalidades impactam toda a cadeia de fornecedores. "A corrente é tão forte quanto o seu elo mais fraco. Não adianta ter elementos díspares de capacidade para determinado fim se um é muito diferente do outro, e aquela falha de um dos elementos, ou aquele não-desenvolvimento, coloca em risco totalmente o uniforme ou o equipamento que está sendo oferecido."

De acordo com Pimentel, a economia circular também é considerada na estratégia de desenvolvimento dos uniformes inteligentes . A indústria têxtil tem a preocupação de viabilizar novos usos aos materiais, posteriormente, sem ferir a segurança, a confiança e a confiabilidade do que será feito.