A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) promoveu nesta terça-feira, 25/8, um webinar sobre o programa Reinventa.BR, iniciativa da Agência e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em fase final de construção destinada a reduzir a lacuna que separa o chão de fábrica dos produtores de conhecimento e inovação.
O webinar apresentou o Reinventa.BR e particularidades de sua metodologia a empresas e ao ecossistema de inovação – formado, entre outros, por órgãos de fomento, Instituições de Pesquisa e Tecnologia (ICTs), universidades e startups – em uma ação que também cumpriu a razão de ser do programa: aproximá-los.
Além de profissionais da ABDI e do MDIC participaram do encontro virtual, entre outros, representantes das empresas Natura, Weg e Intelbras e dos institutos de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e SiDi Campinas.
“A gente que lida com esses dois lados percebe a necessidade de projetos como o Reinventa, que podem fazer uma ponte entre quem está fazendo inovação e as indústrias, as empresas, que demandam por inovação”, disse a diretora de Industrialização Sustentável e Transformação Tecnológica da ABDI, Neide Freitas, ao abrir o encontro.
“O primeiro passo é a gente entender qual a melhor ponte, qual o melhor caminho para gente fazer esse match entre ICTs, universidades e quem está demandando inovação. O segundo é que a gente entenda as dores dos dois lados”, prosseguiu a diretora, referindo-se a desafios enfrentados pelos diferentes segmentos como burocracias e dificuldades para a produção acadêmica chegar ao conhecimento do chão de fábrica.
A gerente da Unidade de Difusão de Tecnologias da ABDI, Isabela Gaya, dimensionou com números o cenário a ser enfrentado por meio de dados de um relatório da CGU de 2023. “Quando a gente fala do desafio de transferência de tecnologia, a média total de transferência por propriedade intelectual gerada dentro das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) é de 3,49%.”
“Ou seja, das propriedades intelectuais geradas no país, apenas 3,49% tinham transferência de tecnologia para o mercado. Então, a gente está falando de uma taxa de menos de 5%. Mais de 80% dessas instituições com uma taxa de menos de 5% fazendo transferência de tecnologia”, mensurou.
Em relação aos 3,49% de transferências que foram feitas, perguntou-se, então, quais foram os fatores críticos de sucesso, prosseguiu Isabela. “Por que elas foram realizadas e as outras não? A gente começou a se perguntar isso, o Reinventa.BR foi uma forma de a gente tentar levantar mais essas informações”, observou.
”O ecossistema científico e tecnológico exerce um papel central no fortalecimento da inovação no país. O trabalho do Reinventa tem sido em entender melhor os fatores críticos de sucesso na relação entre este ecossistema e as indústrias, de forma a propor melhorias na jornada da indústria.”
Propriedade Intelectual
A redução de riscos tecnológicos e a ampliação da geração de propriedade intelectual também integram os objetivos da iniciativa, cuja metodologia passa por processo de refinamento paralelamente a consultorias oferecidas à indústria em um projeto-piloto do programa executado pela ABDI em parceria com o Instituto Euvaldo Lodi (IEL).
“A propriedade intelectual é uma ferramenta estratégica para nós termos acesso aos outros mercados, ao mercado externo, é muito importante para o comércio internacional, e também é muito importante para a atração de investimentos para que a gente possa, de fato, ter a implementação de diversas políticas públicas da melhor forma possível”, observou a diretora do Departamento de Política de Propriedade Intelectual e Infraestrutura da Qualidade da Secretaria de Competitividade e Política Regulatória do MDIC, Juliana Ghizzi.
A superação do excesso de burocracia e a lentidão das contratações e aprovação de projetos, um dos gargalos mais mencionados por pesquisadores, universidades e indústria nos processos de inovação, segue igualmente no radar do programa.
Trilhas de desenvolvimento
O piloto do Reinventa.BR promove parcerias entre indústrias e Instituições de Ciência e Tecnologia e universidades destinadas a estruturar as trilhas de desenvolvimento que vão preparar as empresas a acessar tecnologias, inovar de forma estruturada e acelerar o desenvolvimento de soluções com maior valor agregado.
Cinco empresas serão atendidas até dezembro de 2026 e mais dez até julho de 2027. Uma vez avaliados os resultados e as oportunidades de melhoria, o programa será lançado nacionalmente. Consolidado, contará com uma plataforma on-line completa que atuará como hub, gratuitamente.