A rede GO+ e-commerce, que apoia a transformação digital de micro e pequenas empresas em Goiás, vem demonstrando na prática como capacitação e consultoria podem ampliar a presença on-line e fortalecer os resultados de negócios locais. A iniciativa foi selecionada pelo edital E-commerce.br 2025 e conta com apoio da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Em Goiânia, representantes da ABDI e do MDIC realizaram uma visita técnica para acompanhar de perto a aplicação da solução nas empresas participantes. A agenda integrou a etapa de monitoramento dos projetos selecionados pelo edital, iniciativa que busca incentivar a adoção de ferramentas digitais e ampliar a competitividade de micro e pequenos negócios por meio do comércio eletrônico.
A visita faz parte da fase piloto do programa, que selecionou nove redes em todo o país para testar soluções voltadas à digitalização do comércio. Durante as agendas técnicas, as equipes acompanham as iniciativas diretamente nas empresas atendidas, observando como metodologias, capacitações e ferramentas digitais estão sendo aplicadas no dia a dia.
Na capital goiana, a programação incluiu a apresentação da solução desenvolvida pela rede GO+ e-commerce, visitas a empresas participantes e uma reunião de consolidação com as instituições parceiras do projeto. Ao longo do percurso, sete negócios — entre lojas físicas e operações online — apresentaram como as estratégias de digitalização vêm sendo incorporadas às rotinas de gestão e vendas.
A solução desenvolvida pela rede reúne uma plataforma que combina capacitação e consultoria personalizada. As trilhas de aprendizado abordam desde fundamentos do comércio eletrônico até gestão financeira, logística, tecnologia e experiência do cliente, sempre adaptadas à realidade de cada empresa atendida.
A iniciativa é executada pelo IEL Goiás, com participação do Hub Goiás, Sebrae Goiás e Fecomércio/Senac.
“Ao ouvir os empresários, percebemos que a solução tem contribuído não só para o desempenho financeiro, mas também para a promoção dos negócios e para o desenvolvimento de ferramentas voltadas ao e-commerce”, afirmou Antônio Carlos Tafuri, analista de produtividade e inovação da ABDI.
Para o MDIC, as visitas técnicas ajudam a compreender como as iniciativas estão sendo implementadas e quais impactos vêm sendo percebidos pelas empresas participantes.
“Os relatos mostram que a iniciativa tem gerado resultados positivos nas empresas atendidas e oferecem informações importantes para a avaliação do programa”, destacou Marcos Lamachia, coordenador de comércio e serviços digitais do MDIC.
Articulação local
A implementação da rede GO+ e-commerce envolve a atuação conjunta de diferentes instituições do ecossistema de inovação e desenvolvimento empresarial em Goiás.
“Começamos com 65 empresas em 19 municípios, trabalhando desde a jornada do usuário até gestão financeira e soluções tecnológicas acessíveis. Agora estamos concluindo essa fase do projeto e consolidando os resultados obtidos”, explicou Gracielle Guedes, coordenadora de inovação do IEL Goiás.
A articulação entre os parceiros é considerada um dos fatores que fortalecem a iniciativa.
“Essa é uma agenda estratégica para um estado com muitos negócios ainda em processo de letramento digital. O Hub atua na articulação e na disseminação do projeto para ampliar o impacto da iniciativa, especialmente no aumento de faturamento das empresas”, afirmou Karolline Fernandes, gerente de inovação do Hub Goiás.
No sistema Fecomércio/Senac, o foco está no fortalecimento institucional da rede.
“Nosso papel é apoiar, acompanhar e fortalecer essa iniciativa para garantir que as ações tenham continuidade”, disse Ildeth Dias, coordenadora de programas finalísticos de criação do Senac Goiás.
O Sebrae Goiás também atua como suporte técnico e estratégico na jornada dos empresários.
“Percebemos que esses incentivos para transformação digital têm contribuído muito para a maturidade digital das empresas do estado, especialmente micro e pequenos negócios, que precisam desse apoio para avançar”, afirmou Fernanda de Freitas, analista e gestora da indústria do Sebrae Goiás.
Do aprendizado ao resultado
Se nas apresentações o projeto aparece em metodologia e indicadores, é nas empresas que seus efeitos se tornam mais visíveis.
Na Motoroller, loja especializada em equipamentos de linha amarela — utilizados na construção civil — pequenas mudanças já trouxeram impactos significativos.
“Com ajustes simples de automação após as capacitações, conseguimos triplicar nosso rendimento. A presença digital aumentou muito a procura, tanto online quanto presencial”, relatou o analista de e-commerce Olímpio Neto.

Na loja Domínio Joias, a transformação começou pela mudança de mentalidade.
“Eu sempre fui do físico e tinha resistência ao online. Mas percebi que era necessário. Hoje, depois de 24 anos de loja física, estou mais presente nas redes sociais da loja. Já estou com o site pronto e começando os impulsionamentos. O principal foi entender a importância do digital”, contou a empresária Juliette Neves.
Para a empresária Marcilene Lúcia, da Pé di Gostosura, negócio com dez anos de atuação na produção de doces e pães, o e-commerce representa uma oportunidade de ampliar o alcance da marca.
“Para o futuro, penso em expandir por meio de franquias. Hoje, as vendas online acontecem pelo Instagram e WhatsApp Business, mas estamos organizando os processos para lançar nosso site e fortalecer nossa presença digital”, afirmou.
Edital E-commerce.BR 2025
O edital destina R$ 4,92 milhões para fomentar vendas on-line e prevê impactar mais de 1.000 empresas fora do eixo Sul-Sudeste até o fim de 2026. Na fase piloto, nove projetos receberam R$ 380 mil cada, e três avançarão para a etapa de escala, com aporte adicional de R$ 500 mil.
No Centro-Oeste, quatro iniciativas contempladas somam R$ 1,5 milhão em investimentos. Em Goiás, foram selecionadas as redes Comércio Digital e GO+Ecommerce. Mato Grosso do Sul também teve dois projetos selecionados.
O comércio eletrônico movimentou R$ 225 bilhões no Brasil em 2024, crescimento de 14,6% em relação ao ano anterior, segundo o MDIC. Apesar da expansão, a concentração regional permanece elevada: o Sudeste responde por 77,2% das vendas on-line, enquanto o Centro-Oeste representa 2,5%.