Com nova política industrial, ABDI impulsiona modernização do agro no país

Com nova política industrial, ABDI impulsiona modernização do agro no país

Editais, laboratórios e plataformas digitais aceleram a transformação produtiva no campo e conectam produtores a soluções 4.0

Dois anos após o lançamento da Nova Indústria Brasil (NIB), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) consolida sua atuação no agronegócio como parte da estratégia de neoindustrialização. A iniciativa busca transformar inovação tecnológica em ganhos concretos de produtividade, sustentabilidade e competitividade no campo.

No centro dessa agenda está o Programa Agro 4.0, criado pela ABDI para articular editais, infraestrutura tecnológica, plataformas digitais e redes de inovação, aproximando startups, produtores rurais, ambientes de inovação e governo.

A iniciativa tem acelerado a adoção de tecnologias como irrigação inteligente, sensores de monitoramento, drones no manejo agrícola e ferramentas de gestão de dados produtivos, com impacto direto na produção agropecuária.

Essas ações estão alinhadas à Nova Indústria Brasil, política industrial lançada em 2024 para impulsionar a reindustrialização do país até 2033, com foco em inovação, sustentabilidade e transformação digital.

Um dos principais instrumentos dessa estratégia são os editais de inovação, que conectam desafios reais do campo a soluções desenvolvidas por startups. As empresas selecionadas recebem apoio da ABDI para implantar tecnologias em propriedades rurais, validando sua eficiência em condições reais e acelerando a adoção de inovação.

A edição mais recente do edital, lançada em 2026, com foco no agronegócio da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (RIDE), prevê investimento de R$ 900 mil para apoiar seis projetos voltados a desafios como eficiência hídrica, automação de processos e uso inteligente de dados no campo.

“Produzir mais com menos é um dos grandes desafios do agro brasileiro. A inovação tecnológica permite avançar nessa agenda com uso mais eficiente de água, energia e insumos, alinhando produtividade e sustentabilidade”, afirma o presidente da ABDI, Ricardo Cappelli (foto acima).

A gerente de Difusão de Tecnologias da Agência, Isabela Gaya (foto abaixo), destaca que levar inovação ao campo fortalece a competitividade do país. “A Nova Indústria Brasil reposiciona o agro como parte estratégica da política industrial. Nosso trabalho é transformar diretrizes em entregas concretas, ampliando produtividade e inovação no campo”, afirma.

Resultados no campo

Os resultados do edital edição AgroBrasília de 2025 já aparecem na prática. Em Brazlândia (DF), o produtor Marcos Almeida, conhecido como Marcão, reduziu em 40% o consumo de água após adotar sensores inteligentes instalados no solo, que indicam em tempo real o momento e a quantidade exata de irrigação necessária.

A tecnologia foi desenvolvida pela startup gaúcha Raks, selecionada em edital da ABDI, e também contribuiu para reduzir gastos com energia e insumos.

“Veio uma empresa lá do Sul, mas, por meio da ABDI, conseguiu chegar até nós”, conta o produtor.

Outro exemplo vem da Raia Technology, startup do Distrito Federal selecionada no último edital. A empresa desenvolveu um sistema de monitoramento em tempo real que identifica focos de incêndio em lavouras e direciona a aplicação de insumos com o uso de drones.

Em uma fazenda de 230 hectares, a aplicação, antes feita em toda a área ao custo de R$ 23 mil, passou a ser direcionada a cerca de 80 hectares, reduzindo o gasto para R$ 8 mil.

https://www.flickr.com/photos/abdidigital/albums/72177720332717321

Plataforma e inovação regional

Em parceria com o SiDi – Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação, a ABDI também lançou o edital Agro 4.0 – Edição Nordeste, voltado a startups da região com soluções tecnológicas para o agronegócio.

Além de receberem até R$ 20 mil, os projetos selecionados passam a integrar a plataforma Neo Agro 4.0, que reúne dados, informações e iniciativas inovadoras para impulsionar a transformação digital no campo.

O edital acompanha o crescimento do setor na região: com produção de R$ 39,4 bilhões, o Nordeste foi a segunda região mais lucrativa do agronegócio brasileiro em 2023, segundo o IBGE.

Laboratórios

Outra frente da estratégia é a criação de laboratórios de Agricultura 4.0 em parceria com institutos federais, voltados à pesquisa aplicada, validação de tecnologias e difusão de soluções junto a produtores.

No Acre, uma parceria com o Instituto Federal do Acre (IFAC) viabiliza a criação do primeiro Laboratório de Agricultura 4.0 do estado, com investimento da Agência de R$ 505 mil. O complexo, que atenderá munícipios do Acre e do Amazonas, contará com laboratório de análise de solos e tecidos vegetais e laboratório de máquinas e implementos agrícolas, equipado com tecnologias de ponta.

No Distrito Federal, a cooperação com o Instituto Federal de Brasília (IFB) resultou na implantação do primeiro centro de agricultura de precisão da região, com aporte de R$ 3,5 milhões da ABDI, permitindo análises avançadas de solo e plantas, geoprocessamento, fitopatologia e desenvolvimento de soluções para automação no campo.

A estratégia também inclui a criação do primeiro Laboratório de Análise e Certificação de Vinhos do Centro-Oeste, no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci, no PAD-DF, em parceria com a Associação Nacional de Produtores de Vinhos de Inverno (Anprovin). Com investimento de R$ 3,4 milhões, o espaço apoiará análises, capacitação e certificação de vinhos de inverno, diminuindo custos logísticos e ampliando a competitividade de produtores do Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste.

Já no Tocantins, a cooperação com o Instituto Federal e a Fundação de Apoio Científico e Tecnológico do Tocantins (FAPTO) soma R$ 1,93 milhão para a criação de um laboratório voltado à inovação e sustentabilidade no Cerrado, com foco na agricultura familiar. Entre as iniciativas estão 20 hortas circulares integradas à piscicultura, que combinam produção de alimentos, uso eficiente de água e reaproveitamento de resíduos.

Juntas, essas iniciativas ampliam o acesso à tecnologia, fortalecem capacidades regionais e aceleram a modernização produtiva no campo.