A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em parceria com a Fundação Amazônia Sustentável (FAS), lançou nesta terça-feira (12) o Plano de Transformação Ecológica da Bioeconomia (PTEB) da Amazônia Ocidental. A iniciativa estabelece uma rota estratégica para converter o potencial biológico da região em ativos industriais de alto valor agregado, conectando a floresta em pé às cadeias produtivas.
O estudo foi apresentado durante o Bioeconomy Amazon Summit 2026, que começou hoje e vai até o dia 14 de maio, em Belém (PA). O analista de Produtividade e Inovação Eduardo Rezende representou a ABDI no evento.
O plano abrange os estados do Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima e Amapá e foi desenvolvido em diálogo com as cadeias produtivas locais, propondo um novo modelo de desenvolvimento baseado na bioindustrialização. Ao contrário de modelos extrativistas tradicionais, a iniciativa busca integrar inovação tecnológica e fortalecer modelos de negócios que utilizam a indústria como elo de transformação econômica e social.
A diretora interina de Economia Sustentável e Industrialização da ABDI, Neide Freitas, destaca que o projeto é um pilar da Nova Indústria Brasil (NIB) no Norte do país.
“O PTEB é a materialização da Nova Indústria Brasil na Amazônia. Não estamos falando apenas de preservação, mas de uma estratégia industrial que utiliza a inovação e a bioindustrialização para agregar valor às nossas riquezas naturais. Nosso objetivo na ABDI é transformar o potencial da biodiversidade em competitividade global, garantindo que a transição para uma economia de baixo carbono seja o motor de um novo ciclo de desenvolvimento regional, com geração de emprego qualificado e protagonismo brasileiro na agenda verde”, afirmou.
A iniciativa projeta a mobilização de R$ 12 bilhões a R$ 20 bilhões em investimentos e a geração de 50 mil empregos diretos, assim como a redução de 20 a 40% do custo amazônico. Entre as principais ações previstas está a implantação de três a cinco hubs regionais de bioindustrialização, que funcionarão como polos de inovação tecnológica e infraestrutura logística.
O documento também prevê a estruturação de mais de 500 bioindústrias comunitárias, com metas de 40% de participação feminina e 80% de participação indígena nos processos de governança territorial.
“O sucesso da iniciativa reside na capacidade de escalar soluções que unam o conhecimento tradicional das comunidades à tecnologia industrial de ponta”, reforçou Freitas.
A gerente do Programa de Políticas Públicas em Clima e Conservação da FAS, Gabriela Sampaio, destacou que o lançamento da publicação representou um passo importante para aproximar o debate sobre bioeconomia da realidade dos territórios amazônicos.
“Pensar a bioeconomia amazônica passa por conectar floresta, ciência, indústria e os conhecimentos das populações da região. A proposta do Plano foi construída com esse propósito: contribuir para o debate sobre caminhos possíveis para que a Amazônia Ocidental e o Amapá avancem na agregação de valor em seus próprios territórios, fortalecendo cadeias produtivas locais e ampliando oportunidades a partir da floresta em pé.”
Metas e Implementação
A publicação é fruto de um diagnóstico que mapeou 952 atores e identificou 55 oportunidades de incidência industrial. No curto prazo, a ABDI focará na estruturação de plataformas de financiamento e no lançamento de editais para plantas-piloto de bioindustrialização. A longo prazo, o objetivo é a integração plena das bioindústrias comunitárias aos mercados internacionais, com mecanismos de rastreabilidade e escala produtiva.
Com este lançamento, a ABDI reafirma o papel da política industrial como instrumento central da agenda climática, promovendo uma economia que é, simultaneamente, de baixo carbono e de alta competitividade.
O PTEB está disponível no site da ABDI neste link.