As oportunidades geradas pelo Acordo Mercosul-União Europeia para as empresas brasileiras estiveram no centro dos debates da segunda edição do Conexões Produtivas, realizada nesta terça-feira (30), em Itajaí (SC). Após a estreia em São Paulo, o evento promoveu palestras, oficinas e atendimentos especializados para empresários interessados em conhecer as demandas do mercado europeu e ampliar sua inserção internacional.
“Estamos diante do maior acordo comercial da história do Mercosul”, definiu a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres. “Para que essas oportunidades se tornem negócio, é necessário que o setor privado conheça o acordo, que haja essa aproximação dos dois lados”, ressaltou.
Essa é a proposta do Conexões Produtivas, uma série de eventos presenciais, em diversos estados brasileiros, promovida pelo MDIC, pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), com o apoio do Sebrae, INPI, INMETRO e BNDES.
“O Conexões é um evento para a indústria enxergar melhor as oportunidades do acordo. O cenário global é desafiador, mas, ainda assim, o Brasil alcançou uma corrente de comércio de US$ 100 bilhões com a União Europeia no ano passado, com exportações e importações mais equilibradas. Esse resultado é fruto de um trabalho contínuo do Governo Federal”, destacou Floriano Pesaro, diretor de Gestão Corporativa da ApexBrasil.
Para ele, o acordo é uma oportunidade histórica para o mercado brasileiro, sobretudo para a indústria de transformação. “Em Santa Catarina temos uma das principais bases da indústria de transformação do Brasil. A nossa aposta é a indústria de transformação com valor agregado, competitiva e tecnológica. O acordo permite que a gente entre nesse mercado que sempre foi muito complexo e fechado. Agora é a nossa vez”, reforçou.
“Só com uma política industrial bem desenhada, implementada, monitorada e avaliada vamos poder garantir competividade e produtividade para as empresas brasileiras aproveitarem a oportunidade que o acordo vai gerar. Muitos setores vão precisar de mais modernização tecnológica, qualificação da mão de obra, marcos regulatórios mais simples e eficazes para o que um acordo dessa dimensão vai trazer para o país”, apontou o assessor especial da Presidência da ABDI, Jackson De Toni.
Instrumentos de apoio
Para fortalecer as empresas brasileiras nesse novo cenário, a ABDI e o MDIC lançaram no último dia 22 o Portal Investe Indústria Brasil, durante o aniversário de 74 anos do BNDES. “Nesse portal as empresas que estão demandando investimentos podem colocar seus pleitos, reivindicações e demandas com seus gargalos e dificuldades. É uma entrada unificada das empresas para todo o sistema público de fomento, com análise pela área de inteligência da ABDI para facilitar o processo de obtenção de crédito”, explicou Jackson De Toni.
Outra ferramenta para alavancar a produtividade, a inovação e a competitividade das empresas brasileiras, sobretudo com o novo cenário gerado pelo acordo, é o Brasil Mais Produtivo, programa que destina R$ 2 bilhões para a transformação digital de micro, pequenas e médias indústrias.
“Essa é a maior parte dos negócios hoje no Brasil e o programa traz uma gama de soluções para as empresas se tornarem mais produtivas. As empresas entram na plataforma e já conseguem ter à disposição o cardápio de serviços ofertados por todos os parceiros, podendo escolher qual tipo de atendimento quer receber”, apresentou a gerente da Unidade de Transformação Digital da ABDI, Adryelle Pedrosa.
Também participaram do evento Gustavo Ribeiro, gerente de Inteligência de Mercado da ApexBrasil; Alex Figueiredo, gerente-geral do Escritório da ApexBrasil em Bruxelas; Gabriel Isaacson, representante da ApexBrasil na Região Sul; Augusto Michells, gerente regional da Câmara Brasil-Alemanha do Paraná; Ludmila Castro, analista de Relações Internacionais do Sebrae Nacional; Artur Antunes Pereira, superintendente do Porto de Itajaí; Araken Alves de Lima, superintendente regional Sul do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI); e a deputada federal Ana Paula Lima, além de representantes de empresas brasileiras.

O evento
A série de encontros do “Conexões Produtivas: Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia” reúne especialistas, empresários e representantes governamentais para debater tendências de mercado, oportunidades comerciais, estratégias de internacionalização e os impactos do acordo para os diversos setores produtivos brasileiros.
Cada edição é adaptada às características econômicas da região anfitriã, conectando empresas locais às demandas do mercado europeu e ampliando o acesso a informações estratégicas para a geração de novos negócios. Em Itajaí, os participantes também tiveram acesso a atendimentos individuais oferecidos pelas instituições parceiras.
A próxima edição do evento será realizada nesta quarta-feira (1), em Rio Branco (AC).
O acordo
Assinado em 17 de janeiro de 2026, o Acordo de Parceria Mercosul-União Europeia integra dois dos maiores blocos econômicos e estabelece uma das maiores áreas de livre comércio já criadas.
Além de ampliar a inserção econômica, comercial e política do Brasil, representa um instrumento importante para a transformação produtiva nacional e para o desenvolvimento sustentável de longo prazo.
Na prática, o acordo prevê a redução gradual de tarifas de importação, facilita o acesso de produtos e serviços aos mercados dos dois lados e estabelece regras comuns para comércio, investimentos, compras governamentais, propriedade intelectual e desenvolvimento sustentável.
A União Europeia tem hoje um mercado consumidor de cerca de 450 milhões de pessoas. Para o Brasil, a importância do acordo vai além do aumento das exportações: reforça a posição estratégica do país no comércio internacional, amplia a capacidade de atrair investimentos, estimula a modernização da indústria e abre caminho para maior acesso a tecnologias e novos mercados.