A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) participou da Imersão Nacional de Inovação Aberta para Governo (INIA.Gov 2026), em Recife (PE). O evento, coordenado pela Empresa de Tecnologia e Informática do Recife (Emprel), foi realizado nos dias 21 e 22 de julho e reuniu mais de 200 gestores públicos, especialistas e representantes de ecossistemas de inovação de todo o país com o objetivo de fortalecer a capacidade institucional e técnica dos órgãos públicos brasileiros para a implementação de políticas de inovação, com foco na estruturação, contratação e escalonamento de soluções de inovação aberta, por meio dos Contratos Públicos para Soluções Inovadoras (CPSI).
Um dos destaques da programação foi o lançamento oficial da Carta de Recife, documento que dá origem à Comunidade de Práticas em Compras Públicas para Inovação no país. Fruto da articulação conjunta entre a ABDI, Emprel, TEIA Caixa, Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), Tribunal de Contas da União (TCU), Petrobras, Sebrae, órgãos governamentais, entidades de fomento e demais parceiros estratégicos, o documento estabelece diretrizes para o amadurecimento institucional e o aprimoramento das contratações públicas de soluções inovadoras.
A abertura da programação contou com debate focado em identificar gargalos e ações necessárias para acelerar a inovação no setor público. Um dos pilares centrais trabalhados ao longo da imersão foi a capacitação e a segurança jurídica para os gestores no processo de contratação pelas modalidades de Contrato Público de Solução Inovadora (CPSI) e Encomenda Tecnológica (ETEC).
O gerente do Hubtec – Escritório de Compras Públicas para Inovação da ABDI, André Rauen, participou do painel de abertura que discutiu as compras públicas sob o ponto de vista das regras, riscos e oportunidades e defendeu que o Brasil ainda precisa avançar na capacidade institucional para inovar.
“Em nível macro, já temos uma legislação robusta que contempla e reconhece as compras inovadoras. Em nível micro, temos regramentos com incentivos e punições. Porém, em nível meso, na hora de estruturar os processos, ainda falta o que chamo de ‘tecnologias administrativas’, que são os artefatos, as rotinas e a governança dentro das instituições, de forma a dar mais segurança jurídica e maior impulso para o uso dos instrumentos pelos gestores públicos”, explicou.
Moderado pelo gerente-geral de Inovação do Recife, Evisson Lucena, o painel também contou com as debatedoras Francis Maciel, auditora do TCU; e Letícia Formoso Feres, procuradora-geral do Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo.
Durante os debates voltados para a eficiência na entrega de serviços ao cidadão, a Agência também apresentou as funcionalidades e o alcance da Plataforma Inova CPIN. A solução foi apresentada pela analista de Produtividade e Inovação do Hubtec Gláucia Mendes e integrou o painel de destaque de ferramentas gratuitas voltadas para gestores públicos, ao lado de iniciativas parceiras como o C.O.R.E.T.O., da Emprel, e a plataforma Desafios, da ENAP. Nas oficinas técnicas, a ABDI foi representada pela analista Juliana Medeiros, que apresentou os serviços do Escritório Hubtec.
O case Bengalas Inteligentes
No painel “Inovação Aberta traz resultados”, que contou com a apresentação de cases de sucesso, também esteve no centro das discussões o case do Concurso de Inovação Bengalas Inteligentes, apresentado pela gestora de projetos do Hubtec Bruna de Castro. O caso do “EITA! Recife” foi apresentado pelo diretor de Inovação da Emprel, Breno Alencar, e do HUB Goiás, pela coordenadora de Inovação do HUB, Karol Fernandes. A moderação foi conduzida pela secretária executiva de Inovação do Recife, Viviane Kawashima.

Em sua fala, Bruna ressaltou que, antes de pensar em qual instrumento deverá ser utilizado na jornada de compra de inovação, o gestor deve se concentrar na definição do problema.
“A jornada não começa nas respostas. Começa nas perguntas. Qual problema eu preciso resolver? O caso das Bengalas Inteligentes surgiu olhando para o desafio da mobilidade de pessoas cegas ou de baixa visão. As bengalas tradicionais não conseguem antecipar obstáculos acima da linha da cintura e há muitos relatos de acidentes. O objetivo do concurso foi selecionar e premiar soluções em bengalas que antecipassem obstáculos aéreos, de forma a ampliar a segurança, autonomia e a integridade física dos usuários cegos”, exemplificou, ao apontar a importância de o gestor definir bem o problema, fazer a escolha do instrumento adequado e estruturar todo o processo com motivação, rastreabilidade e transparência.
No encerramento do INIA, foram apresentados casos de clientes e parceiros do Escritório Hubtec, abordando os desafios enfrentados pela gestão pública e a importância de definir bem o problema, institucionalizar as chamadas tecnologias administrativas e incentivar e capacitar os gestores quanto ao uso e a importância dos instrumentos de contratação inovadora para a solução de problemas públicos complexos.
Participaram do painel de encerramento moderado por Bruna de Castro, a idealizadora do CorreiosLab, Juliana Cardoso; o consultor de Parcerias Tecnológicas do Centro de Pesquisas (Cenpes) da Petrobras, Flávio Vianna; e o gestor da Área de Inovação do Estado do Paraná, Major Diego Nogueira.
Ao final do INIA, os representantes das instituições e gestores públicos apresentaram a Carta de Recife, que traz as diretrizes para a criação da Comunidade de Práticas em Compras Públicas para Inovação no Brasil.