ABDI apresenta protótipos de bengalas inteligentes para ampliar autonomia de pessoas com deficiência visual

ABDI apresenta protótipos de bengalas inteligentes para ampliar autonomia de pessoas com deficiência visual

Iniciativa da ABDI e do Governo do Paraná apoia o desenvolvimento de tecnologias assistivas voltadas à mobilidade de pessoas cegas e com baixa visão

Três protótipos de bengalas inteligentes, desenvolvidos para ampliar a autonomia e a segurança de pessoas cegas e com baixa visão, foram apresentados nesta quinta-feira (18/06) na sede da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, em Brasília. As soluções foram premiadas pelo Desafio de Inovação Bengalas Inteligentes, promovido pela ABDI em parceria com o Governo do Paraná.

Durante o evento, pessoas cegas e com baixa visão puderam conhecer e testar os protótipos desenvolvidos pelas equipes vencedoras.

Segundo o gerente do Hubtec – Escritório de Compras Públicas para Inovação da ABDI, André Rauen, o desafio buscou identificar tecnologias capazes de ampliar a segurança dos usuários ao detectar obstáculos acima da linha da cintura, uma das limitações das bengalas convencionais. “A tecnologia não é um fim em si mesma. Por isso, envolvemos pessoas cegas e com baixa visão durante todo o processo de desenvolvimento. O objetivo é transformar esses protótipos em produtos que realmente façam diferença na vida das pessoas”, afirmou.

Para o diretor do Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais da Asa Sul, Airton Dutra, a incorporação de novas tecnologias pode ampliar a autonomia e a segurança desse público. “Uma bengala é fundamental para garantir o direito de ir e vir. Quando se tem tecnologia aliada a isso, a palavra que vem à minha mente é segurança. Não apenas garantimos o deslocamento, mas a possibilidade de circular com mais autonomia e confiança”, disse.

Entre as pessoas que testaram os equipamentos estava Joana Neta Lima, de 53 anos. Ela avalia que a tecnologia pode contribuir para reduzir acidentes e facilitar a locomoção de pessoas com deficiência visual. “Eu achei as soluções muito práticas. Até a minha altura a bengala conseguiu entender e adaptar à minha realidade. Já tive muitos acidentes ao longo da vida e eles poderiam ser evitados com uma bengala desse tipo”, relatou.

Joana Neta Lima testa modelo de bengala inteligente na sede da ABDI

Soluções premiadas

A primeira colocada no desafio foi a solução Bia Radar, desenvolvida pela empresa paranaense Neosenti, que recebeu R$ 500 mil. O dispositivo utiliza um radar para identificar obstáculos e ampliar a percepção espacial dos usuários. Representante da empresa, Daniella Hasebe explicou que a solução foi projetada para oferecer maior precisão na detecção de objetos presentes no percurso. “Assim, contribuímos, inclusive, para uma navegação mais segura em ambientes urbanos”.

A segunda colocação ficou com a solução Sigma, das empresas paranaenses Desenharia Industrial Design e J Vetech. O projeto recebeu R$ 300 mil e consiste em um sistema adaptável a bengalas convencionais para identificação de obstáculos suspensos. De acordo com Daniel Genaro, integrante da equipe, a proposta foi preservar a experiência de uso já conhecida pelos usuários. “Buscamos não alterar o design tradicional da bengala para evitar que a pessoa precise reaprender a utilizá-la. O sistema calcula a distância dos obstáculos e informa o usuário por meio de vibração e sinais sonoros”, explicou.

O terceiro projeto premiado foi desenvolvido no Distrito Federal. A empresa Vereda, vinculada à Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), recebeu R$ 200 mil para desenvolver um módulo inteligente acoplável a bengalas tradicionais, com recursos de orientação e navegação, inclusive podendo ser conectado via bluetooth a celular ou óculos inteligentes.

Segundo Renan Balzani, integrante da equipe, o diferencial da solução está na participação direta do público-alvo durante o processo de desenvolvimento. “Contamos com uma equipe multidisciplinar e com a colaboração de uma aluna cega ao longo de todo o projeto. Isso permitiu criar uma solução mais aderente às necessidades reais dos usuários”, afirmou.

Mercado

Para o diretor de Inovação Aberta e Governança de Dados da Empresa Municipal de Informática (Emprel), Breno Alencar, as soluções premiadas se destacaram pela aderência às necessidades das pessoas com deficiência visual. “As equipes compreenderam bem o desafio e desenvolveram soluções com potencial real de mercado”. Segundo ele, o próximo passo é fortalecer a conexão com o ecossistema de inovação, atrair investimentos e contar com o apoio da ABDI para que esses produtos cheguem a quem mais precisa. “Inclusive com perspectivas de integração ao Sistema Único de Saúde (SUS)”, acrescentou.

Além dos recursos financeiros recebidos durante o desafio, os projetos contarão com apoio da ABDI para avançar nas etapas de desenvolvimento, validação tecnológica e conexão com redes de inovação e oportunidades de financiamento. A expectativa é que as soluções evoluam para versões comercialmente viáveis e ampliem o acesso de pessoas com deficiência visual a tecnologias voltadas à autonomia, segurança e inclusão.

André Rauen – Gerente do Hubtec da ABDI, Breno Alencar – Diretor de Inovação Aberta e Governança de Dados da Emprel; Bruna de Castro – Analista de Produtividade e Inovação da ABDI, e João Rodrigues – Assessor do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da UnB