ABDI leva ao Ministério da Fazenda plano voltado à transformação ecológica na Amazônia

ABDI leva ao Ministério da Fazenda plano voltado à transformação ecológica na Amazônia

Lançado em maio, PTEB projeta mobilizar até R$ 20 bilhões em investimentos e gerar 50 mil empregos na região Norte do país

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) apresentou, na quarta-feira (26), no Ministério da Fazenda, o Plano de Transformação Ecológica da Bioeconomia (PTEB) da Amazônia Ocidental. Lançado pela ABDI em maio deste ano, em parceria com a Fundação Amazônia Sustentável (FAS), o plano propõe uma estratégia para transformar o potencial biológico da região em produtos e negócios de maior valor agregado, fortalecendo cadeias produtivas e a bioindustrialização.

Durante a agenda com a Subsecretaria de Transformação Ecológica da Secretaria-Executiva do Ministério da Fazenda, a assessora especial da ABDI, Ana Carla Lopes, defendeu que o plano seja um ponto de partida para a construção conjunta de sua implementação. “Estamos apresentando o plano, mas queremos que ele seja também um ponto de partida para a construção conjunta de sua implementação. É importante entender de que maneira podemos transformar suas diretrizes em ações concretas, articulando financiamento, investimentos, formação e qualificação com os instrumentos já existentes no Ministério”, disse.

Na prática, o PTEB prioriza 16 oportunidades em três agendas: bioindustrialização; concessões florestais e sistemas agroalimentares sustentáveis. Na bioindustrialização, uma das prioridades é reduzir a dependência de insumos externos, considerando que cerca de 70% desses materiais utilizados pelo Polo Industrial de Manaus (PIM) são importados.

A subsecretária de Transformação Ecológica, Carolina Grottera, apontou o potencial de integração entre as oportunidades identificadas pelo PTEB e os instrumentos econômicos disponíveis no governo federal. “Uma vez que a gente se debruçar sobre essas oportunidades, nós podemos entender o estudo e fazer o matchmaking, ou seja, conectar as oportunidades identificadas pelo plano aos instrumentos disponíveis no Ministério e entender de que forma podemos atuar em conjunto”, afirmou.

Como instrumentos do Ministério da Fazenda que podem dialogar com o PTEB, a subsecretária citou o Fundo de Sustentabilidade e Diversificação Econômica do Estado do Amazonas, criado no âmbito da reforma tributária para apoiar a competitividade do PIM e estimular novas atividades econômicas sustentáveis, e o Juros por Educação, que prevê investimentos em ensino técnico como contrapartida à renegociação das dívidas dos estados com a União. Este último, segundo ela, pode contribuir para a formação profissional demandada pelas novas cadeias produtivas da região.

Para a gerente do Programa de Políticas Públicas em Clima e Conservação da FAS, Gabriela Sampaio, o desafio é integrar o PTEB às políticas e instrumentos já existentes, considerando as especificidades dos territórios. “A preocupação é que o plano não seja uma agenda paralela, mas uma forma de articular instrumentos já existentes às especificidades da Amazônia, fortalecendo cadeias produtivas locais e ampliando a agregação de valor nos territórios”, afirmou durante a reunião, por chamada remota.

Participaram também do encontro Beatrice Fontenelle, coordenadora-geral de Estrutura Produtiva e Sustentabilidade do Ministério da Fazenda; Aline Dias, consultora da FGV; Cecilia Vergara, líder do projeto ABDI na COP; e Eduardo Feitosa, analista de Produtividade e Inovação da Agência.

PTEB

O PTEB projeta a mobilização de R$ 12 bilhões a R$ 20 bilhões em investimentos, a geração de 50 mil empregos diretos e a redução de 20% a 40% do custo amazônico. Entre as ações previstas estão a implantação de três a cinco hubs regionais de bioindustrialização e a estruturação de mais de 500 bioindústrias comunitárias.

O plano é resultado de um diagnóstico que mapeou 952 atores e identificou 55 oportunidades, das quais 16 foram priorizadas. Entre as próximas ações estão a estruturação de plataformas de financiamento e o lançamento de editais para plantas-piloto de bioindustrialização.

O PTEB também integrou a programação da ABDI na COP30, realizada em Belém, no ano passado, quando foi apresentado e debatido como estratégia para fortalecer a bioeconomia e a transformação ecológica na Amazônia.

Conheça mais sobre o Plano de Transformação Ecológica da Bioeconomia (PTEB) da Amazônia Ocidental:
https://www.abdi.com.br/wp-content/uploads/2026/05/Plano-de-Transformacao-Ecologica-da-Amazonia-Ocidental-2_compressed.pdf