Com tecnologia e inovação, ABDI consolida agenda para a indústria de baixo carbono

Com tecnologia e inovação, ABDI consolida agenda para a indústria de baixo carbono

Iniciativas como certificação de materiais reciclados, selos verdes e reciclagem têxtil fortalecem a rastreabilidade, a circularidade e a competitividade das cadeias produtivas brasileiras

No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado nesta sexta (5/6), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) destaca os avanços de sua agenda de economia circular e sustentabilidade. Entre os resultados mais recentes está o do Recircula Brasil, plataforma que já certificou mais de 50 mil toneladas de plástico reciclado e contribuiu para evitar a emissão de quase 495 mil toneladas de CO₂ equivalente.

O Recircula certifica a origem e a destinação dos materiais reciclados por meio de notas fiscais eletrônicas, gerando dados auditáveis que ampliam a transparência do setor e contribuem para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Em maio, a plataforma passou a integrar a vitrine de soluções da Climate Champions, iniciativa vinculada à ONU que mobiliza governos, empresas e instituições em torno da ação climática global.

A plataforma foi desenvolvida em parceria com a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) e monitora e verifica o fluxo de materiais reciclados ao longo das cadeias produtivas. A expectativa é que, apenas em 2026, o sistema passe a verificar cerca de 250 mil toneladas de plástico, impulsionado pelas novas exigências de conteúdo reciclado previstas na regulamentação federal.

“Os países que liderarão a nova economia serão aqueles capazes de transformar resíduos em ativos econômicos, gerar valor a partir da circularidade e comprovar resultados com transparência. E o Brasil reúne todas as condições para ocupar essa posição de liderança. Temos escala industrial, diversidade produtiva, abundância de recursos e uma agenda climática cada vez mais central na política econômica”, afirma Talita Daher, gerente da Unidade de Nova Economia e Indústria Verde da ABDI.

Selo Verde Brasil

Além da rastreabilidade dos materiais reciclados, a ABDI também atua na valorização de produtos e serviços sustentáveis. Um dos principais instrumentos dessa estratégia é o Selo Verde Brasil, iniciativa que amplia a transparência das cadeias produtivas e oferece ao mercado informações confiáveis sobre atributos socioambientais.

A certificação busca fortalecer a competitividade das empresas brasileiras em um cenário em que consumidores, investidores e mercados internacionais exigem cada vez mais evidências de sustentabilidade e responsabilidade ambiental.

“Para a ABDI, o Selo Verde é um instrumento estratégico para impulsionar a neoindustrialização, reforçando o protagonismo da indústria nacional na transição para uma economia sustentável, circular e de baixo carbono”, destaca Rogério Dias Araújo, gerente da Unidade de Fomento às Estratégias ASG da Agência. Segundo ele, como ativo de diferenciação, a certificação agrega valor aos produtos brasileiros nos mercados interno e externo, ampliando sua competitividade por meio de atributos sustentáveis.

O Programa Selo Verde Brasil prevê não apenas a elaboração de normas técnicas, mas também ações de capacitação e consultoria para apoiar empresas na adequação de seus processos produtivos às exigências ambientais, sociais e de governança.

Reciclagem têxtil

A agenda de economia circular da ABDI também avança no setor têxtil. Um dos destaques é o apoio à implantação do primeiro centro de reciclagem têxtil do Agreste pernambucano, o ReCria Moda Santa Cruz. O espaço foi inaugurado no mês passado em Santa Cruz do Capibaribe (PE) e recebeu investimentos de R$ 4,17 milhões para transformar resíduos têxteis em novos insumos para a indústria.

A iniciativa reduz o descarte inadequado de materiais, promove a circularidade na cadeia da moda e cria novas oportunidades de geração de renda, inovação e desenvolvimento regional. O centro contribuirá para reduzir os impactos ambientais do setor ao incentivar o reaproveitamento de resíduos, diminuir a demanda por matéria-prima virgem e estimular uma produção mais limpa e eficiente.

Coopera+: cooperativas como protagonistas da transformação verde

Outro programa estratégico da ABDI é o Coopera+, voltado à industrialização da cadeia da reciclagem e ao fortalecimento de cooperativas de catadores. A iniciativa reconhece que esses trabalhadores são peças-chave para a consolidação de uma economia circular inclusiva no país.

O projeto atua na capacitação das cooperativas, na melhoria da gestão, no acesso a tecnologias e no aumento de renda dos catadores, além de apoio na compra de equipamentos, como caminhões, prensas, empilhadeiras e esteiras.

O programa investiu, no total, R$ 16,9 milhões na industrialização da cadeia da reciclagem no Distrito Federal, beneficiando aproximadamente 30 cooperativas do DF que somam cerca de 1,1 mil catadores. A meta é aumentar em até 30% a produtividade da coleta seletiva e elevar em 20% a renda da categoria.

Lançado no DF, o programa foi concebido como modelo de política pública replicável nacionalmente. A iniciativa está alinhada à Política Nacional de Resíduos Sólidos, ao Plano Nacional de Inclusão Produtiva e à Estratégia Nacional de Economia Circular, convergindo com os objetivos da Nova Indústria Brasil, que busca um setor produtivo mais verde, justo e inovador.

Foto: divulgação/Internet