A construção da Nuvem Brasileira deu mais um passo nesta quinta-feira (20/8), com a assinatura de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro).
O ato ocorreu em Macaíba (RN), durante agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltada ao fortalecimento da infraestrutura tecnológica do país. A cerimônia reuniu autoridades federais, entre elas o presidente da ABDI, Olavo Noleto, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, além de marcar anúncios relacionados à infraestrutura digital, à computação de alto desempenho e à governança de dados.
O acordo formaliza a cooperação entre as instituições para o desenvolvimento da Nuvem Brasileira e a estruturação de soluções estratégicas de armazenamento e processamento de dados voltadas à administração pública. A iniciativa busca criar uma infraestrutura de nuvem alinhada às necessidades do Estado brasileiro, ampliando a capacidade de processamento de informações e garantindo mais segurança para dados e serviços digitais.
“Nosso objetivo é garantir a soberania digital do nosso Estado, assegurando que os dados e o controle da infraestrutura de computação em nuvem permaneçam sob gestão nacional. Ao mesmo tempo, queremos impulsionar o desenvolvimento de tecnologias próprias, fortalecendo a economia, estimulando a inovação e gerando empregos qualificados no país”, afirmou o presidente da ABDI, Olavo Noleto.
Na mesma agenda, o presidente Lula anunciou um edital para a aquisição de um supercomputador em IA no valor estimado em R$ 1 bilhão.
“Nós vamos entrar nesse mercado. Nós vamos provar que os brasileiros, os nossos acadêmicos e a nossa juventude não devem nada a ninguém. Eles só precisam de oportunidade. E aí a gente quer tirar proveito desse supercomputador”, destacou Lula.
A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, classificou a iniciativa como um salto de qualidade para a soberania digital e a capacidade computacional do país, destacando o caráter estratégico, inovador e voltado para o futuro do projeto. Ao abordar os avanços na soberania digital, ela lembrou que a primeira etapa consistiu na repatriação de dados estratégicos do governo federal e na estruturação de uma nuvem governamental, conduzida por empresas públicas como o Serpro e a Dataprev.
Segundo a ministra, o governo avança agora para uma nova fase, voltada à construção de capacidades tecnológicas nacionais para a prestação de serviços de computação em nuvem, atualmente prestado por empresas estrangeiras.
“O que a gente está fazendo aqui é o que a gente quer: criar uma capacidade nacional de fazer o serviço de nuvem e ter uma nuvem brasileira soberana”, destacou.
De acordo com Esther Dweck, o poder de compra do Estado será fundamental para viabilizar esse avanço tecnológico, dando escala e previsibilidade aos investimentos necessários para a construção de uma nuvem brasileira soberana.
“A gente quer juntar essa expertise que está nas nossas empresas privadas, na nossa inteligência e no nosso talento, com os talentos e a expertise das nossas empresas públicas, para que a gente possa desenvolver essa tecnologia no Brasil e ter esse serviço feito por uma empresa brasileira, a serviço da nossa população, e dar um terceiro passo na soberania, que é essa soberania tecnológica”, completou.
Escuta de mercado
O Governo Federal abrirá uma Escuta de Mercado para conhecer soluções disponíveis e receber contribuições de empresas interessadas, incorporando conhecimentos técnicos do setor privado à construção do projeto.
A escuta ocorrerá no dia 3 de setembro de 2026, às 10h, em audiência pública virtual, com foco em mapear as possibilidades de oferta da indústria nacional e orientar as escolhas técnicas e contratuais do projeto. Inscrições, mais informações e o caderno da Escuta de Mercado estarão disponíveis em www.abdi.com.br/nuvembrasileira, a partir de 21 de agosto.
ABDI fortalece atuação estratégica em compras públicas para inovação
A partir da assinatura do acordo, a Agência atuará, em conjunto com MGI, Serpro e BNDES, no apoio técnico especializado à estruturação da futura contratação de serviços e soluções de computação em nuvem nacional para o setor público.
A parceria prevê a realização de estudos, diagnósticos, modelagem e implementação de soluções que aproveitem as capacidades já desenvolvidas pela indústria nacional. A estratégia é utilizar a demanda do Estado como instrumento para acelerar o desenvolvimento de tecnologias brasileiras de computação em nuvem e ampliar a competitividade do setor.
A iniciativa conta com assessoramento técnico do HUBTEC, Escritório de Compras Públicas para Inovação da ABDI, reforçando o papel da Agência como referência nacional no uso estratégico do poder de compra do Estado para induzir inovação, desenvolvimento tecnológico e fortalecimento da indústria brasileira.
Com a participação no projeto, a ABDI amplia sua atuação como parceira do Estado brasileiro na promoção da inovação pelo lado da demanda, fortalecendo sua posição como articuladora entre política industrial, desenvolvimento tecnológico e impacto social.
A iniciativa está alinhada às diretrizes da Nova Indústria Brasil (NIB) e à Estratégia Nacional de Contratações Públicas para o Desenvolvimento Sustentável, contribuindo para a adoção de instrumentos inovadores previstos no Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação.
Foto: Ricardo Stuckert