O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli, integrou na quarta-feira, 26/2, no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a mesa de abertura do Workshop Soluções de Financiamento para a construção industrializada. A cerimônia também contou com a presença do secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do ministério, Uallace Moreira Lima.
Realizado de forma híbrida e voltado ao setor de obras civis, o workshop deu visibilidade às oportunidades de financiamento para inovação na construção industrializada oferecidas por duas das principais instituições de fomento à pesquisa e desenvolvimento no Brasil: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
“O papel dos bancos públicos é fundamental. Então, o papel do BNDES e o papel da FINEP são muito importantes. É muito importante que os potenciais tomadores de crédito tenham acesso a essas informações, porque, às vezes, o desconhecimento também acaba sendo uma barreira”, disse o presidente da ABDI, referindo-se a construtoras interessadas em inovar.
Cappelli também anunciou no encontro uma parceria da ABDI com o MDIC para a organização de workshops destinados a disseminar o BIM entre gestores de governos estaduais e prefeituras de todo o país, este ano. “É uma espécie de Brasil Mais Produtivo, em parceria também com as instituições, para a gente levar para os pequenos e médios a possibilidade de fazer a transição digital e utilizar o BIM”, explicou.
O secretário Uallace Moreira destacou a importância da indústria da construção civil para a Nova Indústria Brasil (NIB), com destaque para a Missão 3 do programa, relacionada ao setor.
“Ela é intensiva em trabalho, ela é intensiva em tecnologia e tem um efeito que a gente chama de spillover, para frente e para trás, muito alto na atividade econômica, no investimento. Tanto é que das seis missões, o maior investimento veio justamente desse setor, do ponto de vista privado”.
Pesquisa, desenvolvimento e inovação
As oportunidades de financiamento do BNDES e da Finep foram informadas no workshop pela chefe de Departamento das Indústrias de Bens de Capital e de Comércio e Serviços do banco, Flávia Kickinger, e pelo superintendente da Área de Transição Energética e Infraestrutura da Finep, Newton Hamatsu.
Entre as iniciativas do BNDES, Flávia deu destaque ao desenvolvimento, pelo banco, do programa Mais Inovação, condicionado a projetos que atendam às missões da NIB e seus objetivos específicos. “Esse é um programa de apoio à inovação nas indústrias, pesquisa, desenvolvimento e inovação nas empresas. E ele conta com três vertentes. Uma vertente é o apoio à pesquisa, desenvolvimento e inovação, propriamente dito. Então, é a inovação da empresa”, especificou.
Hamatsu, por sua vez, destacou a disposição da Finep de financiar o risco inerente à inovação. “Projetos de P&D, projetos inovadores, trazem um grande risco, não só de mercado, mas um risco tecnológico. Então, a forma de atuação da FNEP é de modo a poder compartilhar esses riscos”, explicou. “A gente concede um recurso não reembolsável, ou um recurso reembolsável, bem atrativo, de modo a estimular que esses investimentos possam acontecer”.
A Missão 3 da NIB trata de infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade sustentáveis para a integração produtiva e bem-estar nas cidades. Seus objetivos – que, a exemplo das demais missões do programa, incentiva a inovação –, têm previsão de investimentos da ordem de R$ 1,6 trilhão até 2029, dos quais 75% provenientes da iniciativa privada, com foco em mobilidade verde e cidades sustentáveis.