Em evento pré-COP31, setor industrial debate caminhos para agenda climática

Em evento pré-COP31, setor industrial debate caminhos para agenda climática

ABDI estará na conferência mundial do clima de 9 a 19/11, na Turquia

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) participou nesta quarta-feira (7/10), na Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, do encontro Pré-COP31: o papel do setor privado na agenda de clima, promovido pela CNI em parceria com a Agência. O evento reuniu representantes do setor produtivo, especialistas, governo e instituições nacionais e internacionais para debater os desafios e experiências alinhados com clima, sustentabilidade e competitividade antes da realização da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), a ser realizada em novembro, na Turquia.

O presidente da ABDI, Olavo Noleto, destacou na abertura do encontro a força e o protagonismo do setor produtivo na construção de soluções e na participação do Brasil nas discussões globais sobre sustentabilidade. “Esse debate nos ajuda a alinhar, organizar, articular o conjunto das forças vivas brasileiras. É a indústria mostrando a sua força e seu protagonismo, sua capacidade de liderança e de posicionamento”, afirmou.

Para Noleto, o enfrentamento das mudanças climáticas também depende da construção conjunta entre governo e setor produtivo. Segundo ele, o Brasil vem avançando em políticas públicas voltadas à redução do desmatamento e à expansão de fontes de energia limpa, mas é necessário ampliar a articulação com a indústria para definir os próximos passos.

“Todas as políticas públicas para enfrentar essa questão climática da nossa parte estão sendo feitas, desde a redução do desmatamento a todo o trabalho para potencializar as novas energias limpas. Tudo está sendo feito, mas nós sabemos que precisamos de mais. E isso passa por construir junto com a indústria, em sintonia total, de maneira que não tenha um dono da verdade, mas uma construção conjunta do caminho que nós vamos trilhar”, ponderou.

Também participaram do evento membros da presidência da COP31 e representantes da Sustainable Business COP31, iniciativa da CNI criada durante a COP30 para organizar e fortalecer a participação do setor privado nos processos climáticos internacionais.

A diretora de programas da Presidência da COP31, Alice Amorim, destacou que a agenda de adaptação e resiliência ganha ainda mais relevância diante de eventos climáticos como o El Niño e deve ser tratada como uma agenda de desenvolvimento permanente.

“Temos uma fronteira, olhando para a COP31, mas sobretudo olhando para a COP32, que é muito importante de ser explorada, que é a agenda de adaptação e resiliência. Não há motivo pelo qual a gente não continue tratando a adaptação como uma agenda de futuro, ou a resiliência como uma questão simplesmente dos países mais vulneráveis”, disse.

Marcelo Thomé, presidente do Instituto Amazônia+21 e vice-presidente da CNI, destacou que o país possui uma matriz energética com participação relevante de fontes renováveis e capacidade industrial, mas são necessárias ações mais concretas.

“Precisamos criar as condições para que essas vantagens se convertam em investimento, produtividade, inovação, geração de emprego e competitividade. Isso depende de um ambiente institucional e regulatório que tenha segurança para decisões de novo trabalho.”

Projeto BIM

A programação do Pré-COP31 também contou com o painel “Cidades, mobilidade e infraestrutura resilientes”, que discutiu caminhos para ampliar iniciativas de resiliência urbana, descarbonizar a mobilidade e o transporte, além de fortalecer a segurança hídrica e o saneamento.

No debate, o chefe de gabinete da ABDI, Nikolas Passos, observou que a difusão de tecnologias já disponíveis é um dos caminhos para ampliar a eficiência e a capacidade de planejamento das cidades. Como exemplo, citou o Projeto BIM (Building Information Modeling) da Agência, que tem como objetivos disseminar e ampliar a adoção da metodologia BIM no país.

“Trabalhamos muito com esse conceito de difusão de tecnologias. Mas a gente está pensando qual tecnologia que já está pronta e que a gente consegue aplicar? E aí os gêmeos digitais são uma dessas. No setor da construção é o BIM, que é um planejamento integrado de arquitetura e engenharia, e é possível produzir com mais tecnologia e eficiência, reduzindo custos, além de conseguir entregar o BIM no planejamento da cidade. Isso é o que é legal, um planejamento estratégico dos grandes programas federais.”

Moderado por Maria Emília Peres, presidente do Orbis Instituto e líder das coalizões empresariais da SB COP, o painel também contou com a participação de Priscila Rocha, líder de Sustentabilidade e ESG da Volkswagen, e Dima Zogheib, diretora de Cidades Resilientes da Arup.

ABDI na COP31

A ABDI participará pela terceira vez consecutiva da grande conferência. Um dos destaques será a plataforma RecirculaBrasil, elaborada pela Agência em parceria com a ABIPLAST e desenvolvida pela Central de Custódia com o objetivo de rastrear os resíduos plásticos no país.

A ferramenta foi reconhecida pela ONU em 2023. É considerada pioneira no setor ao promover a reciclagem – uma das vertentes da economia circular – e permitir o mapeamento dessa cadeia produtiva. “Nós somos o único país do mundo que tem implementada uma nota fiscal eletrônica com a qualidade que nós temos. Por meio dessa tecnologia, nós conseguimos comprovar o nível de reciclagem do plástico brasileiro. Queremos levar esse exemplo do Brasil para o mundo”, ressaltou o presidente Olavo Noleto.